Estudantes invadem Reitoria da USP, após assembleia votar fim de ocupação

Alunos encapuzados com paus e pedras arrombaram portão de entrada à 0h; grupos pró e contra a PM fizeram atos durante o dia

CAIO DO VALLE , CARLOS LORDELO , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2011 | 03h00

Assembleia de alunos da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP), decidiu, na noite de ontem, pela desocupação do prédio da faculdade. Na sequência, um grupo de estudantes que se manteve reunido decidiu pela invasão do prédio da Reitoria da universidade. Encapuzados, pelo menos cem alunos arrombaram, à meia-noite de ontem, o prédio da Reitoria com paus e pedras.

Os estudantes estavam no edifício da FFLCH desde a noite de quinta, em protesto contra a prisão de três alunos por porte de maconha, e reivindicavam o fim do convênio que reforça a presença da PM no câmpus.

A reunião para definir os rumos do movimento teve início às 18h e às 23h foi decidida a desocupação. Votaram pela saída 559 estudantes e pela permanência no prédio, 458. Eles não haviam decidido quando vão desocupar o prédio. Sem a presença da polícia, havia forte cheiro de maconha no local da assembleia, o vão livre da Faculdade de História.

Antes, durante a tarde, duas manifestações antagônicas tomaram a universidade: uma a favor da PM no câmpus e outra contra. Embora contrários, os dois eventos foram organizados por integrantes da própria FFLCH - que ainda foram os mais ativos no protesto pró-policiais. De um lado, cerca de 300 pessoas se reuniram na Praça do Relógio, perto da sede da Reitoria, para pedir a permanência da PM. Do outro, no vão livre do prédio das faculdades de História e Geografia, em torno de mil alunos deliberaram sobre os rumos da ocupação que exige a saída da corporação.

Com apoio de um carro de som, os manifestantes a favor da PM chegaram a pedir a realização de um plebiscito na USP sobre a presença policial. "A ditadura acabou!", gritava o estudante de Filosofia Márcio Gois. "Cabe à polícia atuar para que as leis sejam respeitadas", continuou.

Os manifestantes ainda protestaram contra pichações feitas anteontem no prédio da Faculdade de Economia e Administração (FEA). Depois, caminharam até o estacionamento da FEA para homenagear o aluno Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, morto em um assalto no local, em maio. O policiamento no câmpus foi reforçado depois da morte dele.

O evento, porém, também reuniu contrários à presença da corporação. "Os PMs estão fazendo abordagens violentas", disse o aluno de Ciências Humanas Bruno Crema. O tenente-coronel José Luiz Souza, comandante do 16.º Batalhão, negou excesso nas ações da polícia.

Greve. Durante a assembleia dos estudantes contrários à presença da Polícia Militar, chegou-se a cogitar a realização de uma greve estudantil, o que não ganhou força. Eles também pediram a retirada dos processos administrativos contra os envolvidos na ocupação.

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