Estudantes devem responder por danos em Etesp; 2 pagaram fiança

Jovens foram levados a delegacia na manhã desta sexta; inquérito deve apurar acusações, que são negadas pelos alunos

Juliana Diógenes e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2016 | 18h39

SÃO PAULO - A maioria dos estudantes que ocupavam a Escola Técnica de São Paulo (Etesp), na Avenida Tiradentes, já havia sido liberada do 3.° Distrito Policial, na região central, até o início da noite desta sexta-feira, 13. Os 15 adolescentes responderão por ato infracional e, os maiores de idade, por dano ao patrimônio. Por volta da 17h30, cinco alunos ainda permaneciam no local. 

Os estudantes foram trazidos à delegacia por volta das 7 horas, depois de a Polícia Militar realizar a reintegração de posse sem autorização judicial. Desde então, foram liberados um a um.  Os estudantes Marcos Menegari e Mateus Alexandre, ambos de 18 anos, pagaram fiança de R$ 450 cada e deixaram o local por volta das 14 horas. O valor foi obtido com doações de colegas e pais de outros alunos. 

Eles negam ter quebrado qualquer objeto da Etesp. "É um absurdo. Não tem nada quebrado. Claramente foi uma forma autoritária de enfraquecer o movimento dos estudantes", disse Menegari.

Eles temem que danos já existentes no edifício possam ser atribuídos aos alunos. "O prédio que ocupamos já é sucateado, mas nós não quebramos nada. Pelo contrário, cuidamos, porque é patrimônio. Mas os policiais nos tiraram de lá e a perícia começou sem a presença decnenhum aluno nem advogado", reclamou Alexandre.

Danos. No histórico do boletim de ocorrência registrado no 23º Distrito Policial (Perdizes), para onde foram levados outros estudantes, a Polícia Civil diz que o prédio da Diretoria de Ensino Centro-Oeste foi desocupado "com parecer favorável do procurador-geral do Estado, Elival Ramos, e foi determinada pelo então secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes". O documento afirma ainda que, após a saída dos estudantes da Diretoria, foram constatados "inúmeros danos". 

Segundo o delegado titular do 23.º DP, Luprécio Dimov, um laudo do Instituto de Criminalística vai determinar, até a próxima quarta-feira, 18, se houve, de fato, dano ao patrimônio público. Os alunos são acusados de furto qualificado e dano ao patrimônio, mas não foram presos. Eles foram qualificados e liberados por volta das 14h30. 

Serão feitas perícias ainda no ônibus que levou os estudantes do 23º DP e no banheiro da delegacia, que de acordo com o B.O. também podem ter sido danificados.

"Os estudantes responderão em liberdade. Dependemos do laudo pericial para se constatar o dano ao patrimônio público. O diretor da escola nos adiantou que algumas peças foram furtadas, mas ele vai apresentar essa relação dos objetos. Ele sabe que houve a subtração de alguns bens. Vamos apurar nesse inquérito policial", afirmou Dimov. 

Ao Estado, o diretor de ensino regional e representante da Diretoria de Ensino Centro-Oeste, Nonato Assis de Miranda, afirmou que após a saída dos estudantes, os funcionários da Diretoria verificaram portas e vidros quebrados. Além disso, segundo Miranda, HDs de computadores teriam sumido.

Um dos estudantes teve de assinar um termo circunstanciado por suposta ameaça a Miranda. "Ele me ameaçou, chamou de fascista, de rato comedor de carniça, (disse que) eu mandei a polícia bater nele, que ele gravou bem a minha face e que era para eu tomar cuidado e ficar alerta porque ele ia nos encontrar lá fora", afirmou o diretor.

Dimov disse que "não cabe" a ele se manifestar sobre a reintegração de posse das escolas sem autorização judicial. "Só cumpro determinação superior". Em relação às acusações de estudantes, de que teriam sido ameaçadas de estupro por policiais no ônibus, o delegado afirmou que as estudantes podem incluir no inquérito policial. "Vamos averiguar e investigar", garantiu o delegado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.