Estudante sonhava em ser modelo e viver em SP

Para o pai e os amigos, ela jamais deixaria seu bebê pois sofria com um forte trauma de infância - aos 5 meses de idade foi abandonada pela mãe

Fabiula Wurmeister, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO / FOZ

Desde a adolescência, a estudante Eliza Silva Samudio, de 25 anos, planejava deixar a cidade de Foz do Iguaçu (PR), onde nasceu, para viver no eixo Rio-São Paulo. A estudante dizia para os parentes e amigos que seguiria a carreira de modelo. "Ela falava isso desde os 13 anos. Quando completou 18 anos, não pensou duas vezes e foi para São Paulo realizar o sonho dela", disse o tio da estudante, o DJ Antônio Samudio, de 25 anos.

Irmão do pai de Elisa, o DJ conta que sempre teve uma relação próxima com a sobrinha. Mas há cinco anos, quando Elisa deixou o Paraná, a relação se restringia a contatos pela internet. "Conversávamos pelo MSN. Ela pretendia vir para cá em julho para trazer o menino para a gente conhecer. Foi uma covardia o que fizeram com ela", completou o DJ.

Em seu depoimento de cerca de quatro horas à polícia no domingo, o arquiteto Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, fez questão de contestar a versão segundo a qual a filha abandonou a criança. O pai - que desembarcou domingo em Belo Horizonte dizendo ter "quase certeza" de que Eliza está morta - contou que não acredita nessa possibilidade, pois a jovem não teria superado o trauma de ter sido abandonada pela mãe aos 5 meses de idade. Anteontem, Samudio obteve a guarda do neto de 4 meses.

A mesma opinião foi dada por amigas. "Todo mundo bate o pé falando que ela não abandonou essa criança. Ela tinha o maior trauma desse tipo de situação", diz a delegada Alessandra Wilke.

Bruno não se submeteu ao exame de DNA e a paternidade da criança estava sendo discutida judicialmente. No ano passado, a jovem deu queixa contra Bruno por sequestro, ameaça e agressão. E disse à polícia que ele tentou obrigá-la a tomar abortivos. No mês passado, o goleiro surpreendeu a defesa de Eliza manifestando disposição para um acordo. Teria, até mesmo, dado à ex-amante R$ 2 mil antes de convidá-la a ir morar em Minas.

Bebê. Em Foz, a sogra do arquiteto, Ida Cordeiro de Oliveira, de 50 anos, esperava ansiosa em casa pelo bebê, que deveria chegar de madrugada. "Eu já cuido dos meus dois netos, Pamela, de 4 anos, e Christian, de 12. Agora vai chegar mais um, que vai ser como neto também", diz Ida, preocupada como destino de Eliza. "Criei essa menina como filha. Moramos mais de dez anos juntas, mas não a vejo há sete anos." Segundo ela, Eliza entrou em contato com suas filhas, Silvia e Luciana, durante a gravidez. "Elas eram amigas. No último contato, ainda estava grávida. Disse que estava feliz. A única coisa chata, que ela comentou, era que não estava se entendendo com o Bruno, o pai da criança. Depois, ela sumiu."

/ COLABORARAM EDUARDO KATTAH e VALÉRIA FRANÇA

CRONOLOGIA

Uma relação tumultuada

Começo de 2009

Bruno, casado, conhece Eliza em uma casa noturna e os dois começam um relacionamento

Outubro de 2009

Eliza presta queixa contra Bruno por tentativa de sequestro, agressão e ameaça

Fevereiro de 2010

Nasce o filho de Eliza. Bruno não reconhece a paternidade

4 de junho

Segundo amigas da estudante, Eliza vai para Minas para conversar com Bruno a pedido dele. Desde então, ela não entra em contato com ninguém

25 de junho

O filho de Eliza é encontrado na casa de uma amiga da mulher do acusado, Dayane de Souza. Dayane é presa e depois liberada. A criança foi entregue ao pai de Eliza

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