Estudante que atropelou frentista deve receber nova denúncia

Procurador determina que promotor o acuse por homicídio doloso e que caso seja encaminhado a júri popular

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 19h26

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Fernando Grella Vieira, determinou ao promotor designado do caso, que seja oferecida nova denúncia contra o estudante universitário Caio Meneghetti Fleury Lombard, que atropelou, em 11 de fevereiro, em Ribeirão Preto, o frentista Carlos Alaetes Pereira Silva. No entendimento de Vieira, o caso é de tentativa de homicídio doloso (intencional) e deve ser encaminhado a júri popular.   Veja também: Frentista atropelado presta depoimento no interior de SP Vídeo do atropelamento     O estudante havia saído de um trote universitário e estava embriagado, além de que frascos de lança-perfume foram encontrados no carro que dirigia. O frentista sofreu traumatismo craniano e está em casa, ainda em recuperação do incidente.   Segundo informações da Procuradoria-Geral de Justiça, Vieira, em decisão tomada na terça-feira, 27, entende que o comportamento de Lombard foi de ter assumido, de modo consciente e voluntário, o risco de matar ou ferir terceiros. Primeiro porque dirigiu embriagado e em alta velocidade, depois por tentar fugir, com o frentista em poder reagir, sob o carro. Para o procurador-geral houve dolo direto "porque o agente atropelou ainda mais a vítima, cujo estado já era grave, passando com o automóvel por cima dela". E acrescentou que a morte do frentista "somente não ocorreu pelo rápido socorro prestado" e que o estudante "deve responder por homicídio doloso tentado".   Em sua decisão, Vieira resolveu um "conflito de atribuições entre membros do Ministério Público Estadual", pois não havia um consenso sobre o caso. O promotor Cirilo Luciano Gomes Júnior, que substituía o titular, não considerou o caso como tentativa de homicídio doloso, enquanto que na esfera policial Lombard foi indiciado pelo crime. O caso foi à Vara Criminal Comum e o promotor, que não o nome citado, considerou o crime também como intencional. Daí Vieira decidiu o impasse. Sua decisão deverá chegar ao MPE nos próximos dias.

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