Estudante morto na Austrália é enterrado

Família evitou falar sobre a investigação da polícia durante velório de Laudisio

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2012 | 03h06

O estudante Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, foi enterrado no início da tarde de ontem no Cemitério do Araçá, na região central de São Paulo. Cerca de 200 pessoas, entre familiares e amigos, participaram da cerimônia. Laudisio morreu no dia 18 de março, em Sydney, na Austrália, depois de ser atingido por disparos feitos por policiais com armas de eletrochoque (Taser). Os motivos da ação ainda não foram esclarecidos pela polícia de Nova Gales do Sul.

O corpo chegou ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, no início da tarde de sábado, depois de passar por necropsia e ser liberado, na última quinta-feira, pelo governo australiano.

O sepultamento foi por volta das 12h40, no jazigo da família. Os parentes e amigos rezaram uma ave-maria, um pai-nosso e gritaram o nome do estudante por duas vezes, seguido de muitas palmas. Parte das pessoas vestia camisetas com a hashtag (palavra-chave do Twitter) #prasemprebetao, nas costas, e as palavras "luta" e "justiça", à frente, com uma foto de Laudisio.

O estudante morava na casa de uma das duas irmãs, Ana Luisa Laudisio, na Austrália. Ela estava no enterro com o marido, australiano. Os pais de Laudisio já morreram.

Silêncio. Durante o velório e o enterro, os familiares optaram por não falar com a imprensa. Amigo de infância de Laudisio, o também estudante Pietro Pellin Bertolucci, de 21 anos, afirmou que os familiares escolheram não divulgar detalhes da investigação. "Os parentes não comentaram nada. Estão de luto ainda, e é bem provável que isso fique entre eles, que prefiram não divulgar nada."

Bertolucci desconfia da versão contada pela polícia, de que Laudisio teria sido abordado após roubar um pacote de bolachas e que havia suspeita de que o rapaz estaria sob efeito de algum tipo de droga. "Acredito não seja verdadeira a história da forma como tem sido contada. A gente quer que isso feche da melhor maneira possível. Todo mundo aqui tem uma parte da história de Roberto. Ficou um vazio no coração de todo mundo."

O estudante disse que Laudisio era seu melhor amigo. "Conhecia desde os 8, 9 anos. A minha família soube da morte da mãe dele, se comoveu muito. Ele passou a ser parte da minha família. Meus pais sempre o trataram como um filho. Para eles, está sendo bem difícil, é que como se eu ou minha irmã tivéssemos morrido."

Uma bandeira do Palmeiras cobriu o caixão do estudante. "Ele era apaixonado pelo Palmeiras. Assim como eu, começou a ir para o estádio desde moleque. Adorava ir para a arquibancada. Ele era fanático, o momento dele de ficar em paz, amava de coração", disse o amigo.

Antes do clássico contra o Corinthians, no dia 25 de março, os jogadores do Palmeiras entraram em campo no Estádio do Pacaembu carregando uma faixa em homenagem ao torcedor que morreu na Austrália.

Carinho. O estudante é descrito por conhecidos como uma pessoa amável e carinhosa, incapaz de ter furtado o pacote de bolachas. "Ele está entre os melhores alunos que eu tive nos últimos anos, porque estabelecia relações além da sala de aula", afirmou a professora de Economia Cristina Mello, de 46 anos, que deu aula para Laudisio na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), quando ele fez Administração.

Também professora e amiga da família, Silvia Cristina Cópia Martins, de 48 anos, diz que o estudante era bastante afetuoso. "Quando perdeu a mãe, ele perguntou se eu não queria adotá-lo. Ele era um menino muito bom, carinhoso."

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