Estudante morto após ajudar motorista é enterrado na capital

Fábio parou para ajudar o motorista de um carro e foi atropelado por uma carreta na Marginal do Pinheiros

da Redação,

19 de setembro de 2008 | 12h17

O estudante Fábio Carvalho da Silva, de 24 anos, foi enterrado na manhã desta sexta-feira, 19, no Cemitério Municipal de Barueri. Fábio foi atropelado por uma carreta na madrugada de quinta-feira quando parou para ajudar o motorista de um carro quebrado na Marginal do Pinheiros. Após o conserto do carro, foi atropelado por um caminhão e morreu na hora. O motorista do caminhão teve ferimentos leves e o do Ka, fugiu.  Veja também: ''Deu a vida tentando ajudar alguém", diz o pai  Silva morreu em um dos locais mais perigosos do trânsito na capital, conforme o Estado destacou em especial sobre o trânsito publicado na quinta-feira. A Marginal do Pinheiros está em segundo lugar no ranking das vias com maior número de acidentes em 2007: 33, perdendo só para a Marginal do Tietê, com 48 casos.  O estudante voltava para casa, em Osasco, na Grande São Paulo, às 23 horas, depois das aulas no curso de Sistemas de Informação que fazia há três anos no câmpus Butantã da Universidade São Judas Tadeu. Ele estava com a noiva e com uma colega, a quem dava carona, quando viu o motorista do Ford Ka acenando e pedindo ajuda.  O universitário parou o carro e auxiliou o motorista. Segundo a polícia, o problema era no radiador. A colega de Silva, que não quis ser identificada, disse que o rapaz colocou o triângulo de segurança na pista para desviar o trânsito e iniciou o socorro. Às 23h50, com o carro já funcionando, o dono do Ka agradeceu Silva. Os dois se preparavam para entrar nos automóveis, quando um Ford Cargo, que não conseguiu desviar da área, os atingiu. O caminhão dirigido por João Inácio de Lima Filho, de 31 anos, só parou ao bater em uma árvore. A colega de Silva contou que Lima "fez o que pôde para evitar o acidente". "Foi horrível."  O universitário, além de outros ferimentos pelo corpo, teve o pescoço quebrado e morreu no local. O motorista do Ford Ka caiu na pista. Ao recobrar a consciência, se levantou, entrou no carro e foi embora. O caminhoneiro foi levado para o Pronto-Socorro da Lapa com ferimentos leves e teve alta.  Silva trabalhava desde os 14 anos em uma multinacional de tecnologia da informação. Suas metas eram terminar a faculdade, casar e construir a sede da ONG Assim Ama, da qual é um dos fundadores. A associação presta assistência às crianças carentes de um bairro de Osasco.Primogênito de uma família de três irmãos, o universitário morava em Osasco com a mãe. Em casa, deixava todos os meses parte do salário. Aos domingos, em vez de assistir aos cultos em uma igreja no centro da cidade, lia para crianças passagens bíblicas em uma sala ao lado do templo. Arrancar um sorriso de uma criança era, nas palavras do amigo e ex-professor Alex Pereira da Silva, de 30 anos, "a glória". "Se ele pudesse, tirava a roupa do corpo para dar ao necessitado", descreveu Silva. "Era uma criança. Muito carinhoso. Abraçava e beijava todo mundo." (Com informações de Daniela do Canto e Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde)

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