Google Street View/Reprodução
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Estudante morre baleada após PM de folga reagir a assalto no centro de SP

Vítima de 21 anos não resistiu aos ferimentos e jovem de 22 anos também foi baleada; Polícia Civil investiga atuação do agente de segurança

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2022 | 12h03

A rotina da estudante Ingrid Reis dos Santos, de 22 anos, era puxada. Durante o dia, ela trabalhava numa loja de roupas na Praça da República, na região central. À noite, cursava o penúltimo ano de Administração na Escola Técnica Estadual Santa Ifigênia. No meio da jornada dupla, ela passava no apartamento da Rua Vitória para tomar banho e engolir alguma coisa. No caminho, deixava a chave da casa com o pai, no restaurante da família, duas quadras dali, na avenida Rio Branco. Uma bala perdida interrompeu a rotina da menina negra e sorridente que queria ter seu próprio negócio.

Uma tentativa de assalto na região central matou Ingrid, deixou outra jovem da mesma idade ferida e um suspeito baleado após a reação de um policial militar à paisana na noite desta segunda-feira, 11, na cidade de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, o crime ocorreu no cruzamento da Rua Vitória com a Avenida Rio Branco. O agente, que estava de folga e sem uniforme, contou à Polícia Civil que viu um assalto na calçada e atirou três vezes na direção do suposto criminoso. 

As duas mulheres passavam pela calçada da Rua Vitória quando foram atingidas pelos disparos. Ingrid foi atingida no peito. Ela foi levada até a Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu. A outra mulher, Elana Maciel, de 22 anos, foi levada para o mesmo hospital com um ferimento na barriga e teve alta médica.  A família não soube dizer que as duas se conheciam.

“Ela morreu praticamente na porta de casa. A gente viu aquela movimentação, fez vídeos e já depois descobriu que a vítima era ela”, conta o tio Gil Cristiano Santos, de 35 anos, que também é microempreendedor. A distância entre o local em que Ingrid foi atingida e a casa da família é de cerca de 100 metros. 

O suspeito do roubo, posteriormente identificado como Daniel Ventura de Lima, foi baleado e acabou preso pela Polícia Civil. Segundo as investigações, ele usava uma arma falsa, que acabou apreendida.  A tentativa de roubo é investigada pelo 3º DP. Segundo a Polícia Militar, "o homicídio decorrente de intervenção policial é apurado por meio de inquérito pelo DHPP. A autoridade policial deu voz de prisão ao agente que foi colocado em liberdade após o pagamento de fiança".

O Estadão apurou que o policial foi indiciado por homicídio culposo, mas a natureza do crime pode mudar com as investigações.

O crime deixou assustados os vizinhos de Ingrid. Na tarde desta terça-feira, 12, comerciantes atribuíam o assassinato à migração de traficantes e usuários de drogas da região da Luz para a Praça Princesa Isabel no mês passado após determinação da facção criminosa que controla o tráfico no centro da cidade. "Ninguém mais sai com celular por aqui. Todo mundo está com medo", diz o proprietário de uma loja de veículos que não quer se identificar. 

Nesta terça-feira, o policiamento era ostensivo na região. Eram duas viaturas da Polícia Militar na esquina do crime, mais duas nos cruzamentos próximos. Nas três portas do bar da família, na Avenida Rio Branco, três folhas de sulfite com a palavra "Luto", uma em cada porta, sinalizavam a tragédia que se abateu sobre a família.  

 

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