Estudante levou choque de Taser já algemado

O segundo dia do inquérito sobre a morte do estudante brasileiro Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, em Sydney, na Austrália, revelou que ele levou um tiro de Taser quando já estava algemado e controlado no chão por cinco policiais.

JORGE BECHARA / SYDNEY, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2012 | 03h04

Durante perseguição, em 18 de março, Curti foi alvo de 14 tiros da arma de eletrochoque da polícia australiana. Conhecido como Eric, Chin Aun Lim, o policial que deu o último disparo, seguiria depondo ontem no júri que ocorre em Sydney. Seu depoimento foi o mais tenso até agora e revoltou parentes de Curti. Domingos Laudisio, tio do estudante, disse ao Estado que "o que aconteceu foi um caso evidente de tortura".

O policial também deu o tiro pelas costas que derrubou o brasileiro. Seus colegas removeram os arames da Taser das costas do estudante (elas se prendem ao alvo) e o viraram. O último disparo, então, atingiu o peito. Eric alega não saber que Curti estava algemado, já que "as mãos dele estavam atrás do corpo". O advogado da família surpreendeu ao acusar o policial de errar fatalmente: "Você não precisava dar o segundo tiro, precisava?" Eric foi treinado para usar Taser quatro semanas antes da ação.

O cônsul brasileiro na cidade de Sydney, André Costa, mostrou-se surpreso com a polícia australiana, mas disse que o governo brasileiro "está satisfeito com o andamento do inquérito".

Policiais envolvidos na morte de Curti começaram a depor anteontem "sob exceção" - nada do que dizem pode ser usado contra eles. O supervisor da polícia local no momento da perseguição, sargento Craig Partridge, repetiu pelo rádio que teria havido um "roubo a mão armada". Ele via a ação por câmeras.

Mesmo sendo corrigido três vezes, o sargento prosseguiu e não alertou ninguém. "Estava cansado no fim de um turno de 12 horas de trabalho", justificou.

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