Estudante é baleada no rosto após sair da USP

Crime foi na Avenida Escola Politécnica; jovem corre risco de perder o olho direito

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h02

Uma estudante do 3.º ano de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) foi baleada no rosto, durante tentativa de assalto na noite de ontem na Avenida Escola Politécnica, no Butantã, zona oeste. Camila Basso Fernandes da Silva, de 22 anos, corre o risco de perder a visão do olho direito. Ela havia saído da universidade em um Meriva e seguia para casa em Cotia, na Grande São Paulo. Os três ladrões fugiram sem levar nada.

A Polícia Militar admitiu que, após o combate dos roubos e furtos dentro da USP, houve uma migração desses crimes para a área externa. Ontem, a corporação revelou que foi identificada ainda uma segunda migração. Desta vez, em um raio maior, a cerca de 4,5 quilômetros da USP, justamente onde a estudante foi abordada.

Eram 23h10 quando Camila seguia para Cotia. Na altura do número 4.600 da avenida, o semáforo fechou e três suspeitos armados se aproximaram do veículo da jovem e anunciaram o assalto. A vítima tentou acelerar e um dos homens deu três tiros contra ela. Uma das balas atingiu o olho da universitária, na frente da entrada do Parque dos Príncipes, próximo da Rodovia Raposo Tavares, no Rio Pequeno.

Ajuda. Thiago Lacerda do Nascimento, de 26 anos, estudante de Economia da FMU, socorreu Camila. Ele também voltava para casa, a pé, quando viu o Meriva parado com o pisca-alerta ligado. "Pela urgência da situação, assumi o volante do carro e segui para o hospital. Um caminhoneiro me ajudou, indo na frente e indicando o caminho", contou Thiago, que levou Camila ao pronto-socorro do Hospital Municipal Maternidade Professor Mário Deguine, próximo do local do crime.

"Ela estava consciente. Sobre a tentativa de assalto, disse apenas que havia se assustado quando o ladrão chegou", afirmou o estudante de Economia. "A caminho do hospital, ela perguntava a todo instante se estava sangrando muito", continuou.

Pelo menos dois tiros atingiram o veículo da vítima. Duas balas atingiram o para-brisa, uma delas após atravessar o vidro da porta do passageiro, indicando que o bandido se aproximou pelo lado direito do veículo. Atingida, Camila ainda ligou para a mãe, que acionou a Polícia Militar.

No 14.º Distrito Policial (Pinheiros), onde o caso foi registrado, o gráfico Carlos Fernandes da Silva, de 44 anos, pai de Camila, afirmou que, no dia do assalto, a filha havia saído da rotina. "Normalmente, ela volta para casa de carona com uma colega da USP para ter companhia e segurança. Mas, por causa do estágio e por ter se atrasado, resolveu ir de carro. Deu no que deu."

Camila foi transferida ontem para o Hospital das Clínicas. "O que revolta também é que ficamos mais de uma hora no pronto-socorro, à espera de ambulância para que a minha sobrinha fosse removida para o HC", disse o consultor de atendimento Mário Bassi, tio da estudante. "Ela está consciente, mas com um tampão nos olhos, pois não consegue abri-los. E a bala está alojada na têmpora direita."

Carlos estava indignado com a brutalidade do crime. "Os políticos fazem muito pouco pela segurança pública. Mas, do jeito que está, amanhã pode ser o filho de um deles." /CAMILLA HADDAD, PEDRO ROCHA e RICARDO VALOTA

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