Estudante é atacado por tubarão no Recife

Jovem, que sofreu lesão na coxa e perna direitas, teria desrespeitado as placas de alerta; este foi o 54º caso registrado na região desde 1992

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

O estudante Marlisson Danilo Lima de França, de 21 anos, foi atacado por um tubarão na manhã de ontem, quando praticava bodyboarding com um grupo de amigos surfistas na praia urbana do Pina, zona sul do Recife. Ele alegou não ter notado o tubarão.

A mordida, por trás, pegou as laterais internas e externas da coxa e perna direitas, numa extensão de cerca de 40 centímetros. Atendido no Hospital da Restauração (HR), maior emergência do Estado, onde passou por cirurgia, ele não perdeu a perna nem corre risco de morte. Está consciente e estável.

De acordo com a equipe médica, França ficará em observação por dois dias. Depois, passará por nova avaliação. Diante do risco de infecção, ele está sendo tratado com antibióticos. O estudante chegou ao HR em estado de choque hipovolêmico (perda de sangue), com fratura na fíbula (osso da perna) e lesões musculares, vasculares e nervosas. Ele recebeu soro e sangue e teve as lesões reparadas na cirurgia.

Trata-se da 54.ª vítima de ataque de tubarão registrado na orla pernambucana desde 1992. França costumava praticar o esporte na faixa de 20 km entre os municípios de Olinda e Cabo de Santo Agostinho, na região metropolitana - onde o surfe e esportes similares são proibidos por decreto estadual. Placas informando sobre a proibição e alertando para o perigo de ataques de tubarão na área estão colocadas ao longo do percurso.

"Ele abusou do direito de correr o risco", afirmou o presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Fábio Hazin, ao lembrar que todos os fatores de risco foram ignorados por França, que mora na Praia do Pina e era alertado por familiares.

Os ataques de tubarão têm maior incidência entre junho e setembro - período de chuvas no Estado -, quando a água do mar está menos salinizada e mais turva. Além disso, ele estava em mar aberto e fazendo um esporte que atrai o animal pelo movimento das pernas. "Transformou-se na isca ideal", observou Hazin.

Porto. O impacto ambiental provocado pela construção do Porto de Suape, no município metropolitano de Ipojuca, é uma das causas do aumento dos ataques de tubarão no Estado, com aterro de mangues, desvio de rios e aumento do tráfego marítimo. Além da degradação do meio ambiente, os tubarões são atraídos pelo lixo jogado pelos navios.

Uma das atividades do Cemit é capturar, identificar e devolver ao alto-mar tubarões que sejam encontrados perto da praia. Até hoje, de acordo com Hazin, nenhum dos 16 animais identificados em 12 anos retornou à região. "Nada disso tem efeito, no entanto, se as pessoas não adotam as medidas de precaução recomendadas", observou.

Mortes

20 pessoas, entre surfistas e banhistas, já morreram no Recife. O último ataque com morte

aconteceu em setembro de 2009, quando Geovani Thiago Barbosa de Freitas, de 15 anos, surfava

na Praia de Piedade, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes.

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