Ricardo Trida/Diário do GDE ABC-23/6/2011
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Estudante é acusado de ferir 3 com chumbinho

Lucas Bomtempo disparou espingarda contra crianças da sacada de seu apartamento em Santo André; vítimas brincavam em um parque

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2011 | 00h00

O estudante de Direito Lucas Bomtempo Correa Leite, de 19 anos, foi preso anteontem acusado de atirar com uma espingarda de pressão de 4,5 mm, da sacada do prédio onde mora, em três crianças que brincavam no Parque Antônio Fláquer, em Santo André, no ABC. Procurado, o advogado do jovem não atendeu às ligações da reportagem. Ele está na cadeia pública da cidade.

O ataque ocorreu por volta das 14h30 de quinta-feira. "A minha filha estava brincando no chafariz e, de repente, falou: "Pai, a abelha me picou". Olhei para o lado e as crianças já estavam saindo chorando e gritando. Aí o pai de um menino avisou: "Saí daí que tem alguém atirando"", contou o montador Marcos Antonio Benedito, de 40 anos, pai de Marina Rigoni, de 3 anos. A menina foi atingida por um tiro no ombro esquerdo. Segundo Benedito, a área do corpo atingida pela bala está inchada, mas a garota passa bem.

Antes dela, já haviam sido alvejadas Dayara Paz de Lima e Danúbia Aparecida, filha e neta, respectivamente, do assessor parlamentar Dogival Paz de Lima, de 53 anos. Em depoimento à polícia, ele contou que Danúbia, de 7 anos, foi a primeira a ser ferida, nas costas. Pouco depois, Dayara, de 8 anos, acabou baleada na perna esquerda.

As crianças passaram a gritar e chorar. Os pais notaram que o autor dos tiros estava em um apartamento do 14.º andar do prédio Torre di Rocco, que fica em frente ao parque. Segundo o assessor parlamentar, Lucas atirava, escondia-se e reaparecia rindo e fazendo novos disparos.

Avisados por meio do 190, policiais militares foram ao prédio e, com a síndica, subiram até o apartamento de Lucas. O jovem estava sozinho no imóvel e abriu a porta para os PMs. Questionado sobre os tiros, ele "respondeu que estava testando a arma, pois havia muito tempo que atirava".

Ao entrar no quarto do estudante, os policiais perceberam que ele via vídeos envolvendo atiradores. A arma de pressão supostamente usada para acertar as crianças estava sobre a cama. No guarda-roupa eram mantidas ainda 12 armas de brinquedo, 3 canivetes, 5 munições para revólver, 3 punhais, 5 espadas, 1 machado, uma espingarda e um rifle de pressão, uma réplica de fuzil e uma garrucha calibre 32.

O cabo da PM Zenício Tenório Ferro afirmou que Lucas estava tranquilo. "Ele falou que nem percebeu que tinha acertado alguém." Segundo o PM, o estudante disse que gosta de armas de pressão e as utiliza para praticar paintball. A garrucha teria sido presente do avô. As espadas seriam objetos de coleção.

Com a presença da polícia, o jovem ligou para o pai, avisando que estava sendo preso. Os pais decidiram voltar de viagem. Na saída do prédio, as pessoas que estavam na calçada tentaram agredir Lucas. Na delegacia, o estudante confirmou ter efetuado cinco disparos, sendo um a cada dez minutos. Segundo ele, "não passou pela sua cabeça que pudesse atingir qualquer pessoa", pois teria mirado em um imóvel em construção vazio.

A Polícia Civil decidiu autuar o jovem por lesão corporal e posse ilegal de arma de fogo. A família do estudante não foi encontrada pela reportagem ontem.

Arma de fogo. De acordo com o jurista Luiz Flávio Gomes, a pistola de chumbinho pode ser considerada uma arma de fogo. "É uma arma letal. Machuca e pode até matar, dependendo do local atingido e da distância", diz.

O porte da arma é autorizado a pessoas com mais de 25 anos, sem antecedentes criminais, com endereço fixo e com aprovação no exame médico e de manuseio da arma.

"A arma de chumbinho não é brincadeira e machuca muito. Se o disparo atingir o rosto ou o pescoço pode ser fatal", afirma o clínico geral do Hospital das Clínicas Arnaldo Lichtenstein. O médico lembra que anos atrás era comum casos de pessoas que ficaram cegas após serem atingidas em um dos olhos com munição de chumbinho.

PARA LEMBRAR

O zagueiro do Corinthians Leandro Castán foi indiciado por lesão corporal após ter atingido o amigo Leonardo Calixto Pessuti, de 20 anos, com um tiro de chumbinho de uma espingarda de pressão. Pelo disparo, supostamente acidental, feito na noite de 30 de maio, o jogador pode pegar de 1 a 5 anos de prisão.

De acordo com a polícia, o tiro ocorreu em uma festa na propriedade da família de Castán, em Jaú. Com o disparo, o chumbinho, que entrou pelo lado esquerdo do tórax, na região axilar, perfurou o pulmão esquerdo de Leonardo e parou a menos de um centímetro do coração.

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