Estudante cai nos trilhos da CPTM e morre no horário de pico da tarde

Segundo a polícia, acidente pode ter sido causado pelo empurra-empurra do rush ou pela tentativa do jovem de pular no estribo do trem

Caio do Valle e Clarice Cudischevitch, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2013 | 02h02

Atualizado às 8h00

SÃO PAULO - Um estudante de 15 anos morreu após cair nos trilhos da Estação Brás da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Leonardo de Souza Silva seguia de seu trabalho, no centro da capital, para a escola em Itaquaquecetuba, cidade na Grande São Paulo onde morava. A Polícia Civil investiga se a queda, ocorrida às 17h de terça-feira, início do horário de pico, pode ter sido causada pelo empurra-empurra de outros passageiros que tentavam embarcar. A empresa, no entanto, informou que o jovem pode ter tentado se agarrar à porta da composição no momento em que ela chegava à parada, desequilibrando-se.

O caso foi registrado como "morte suspeita". Segundo o delegado titular da Delegacia do Metropolitano (Delpom), José Eduardo Navarro, nenhuma hipótese está descartada. "Foi um acidente de pular no estribo ou de empurra-empurra", disse, acrescentando que a análise das imagens das câmeras de segurança ajudará a esclarecer o que houve. Alguns desses vídeos gravados na hora da queda foram exibidos para a reportagem ontem à tarde, na sede da CPTM, na região central. As imagens mostram que a plataforma estava cheia, mas não superlotada. Nenhuma mostra o local exato da ocorrência.

Uma das gravações traz o trem estacionando. Só é possível vê-lo do lado oposto ao da plataforma 7, onde Silva caiu. Em um certo momento, seguranças da empresa aparecem socorrendo o jovem, tirando-o de baixo da composição e colocando-o em uma maca na plataforma 8, que é paralela. A vítima não chegou a ser atropelada pela composição. Sua morte, de acordo com o boletim de ocorrência, foi por politraumatismo.

Segundo o documento, um dos vigilantes que o resgataram relatou que o rapaz não tinha "ferimentos externos visíveis" e, ao ser socorrido, "estava ofegante e reclamando de falta de ar". O jovem foi levado para o Hospital João XXIII, na Mooca, zona leste, onde morreu.

Outro vídeo traz imagens da própria plataforma 7, mas do trecho central. A queda foi na altura do antepenúltimo vagão do trem. A assessoria da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, que controla a CPTM, afirmou que a área da queda estava em "um ponto cego", ou seja, que não era monitorada por câmeras de vigilância. Contudo, a reportagem esteve nas plataformas da Linha 12-Safira, na Estação Brás, e notou que há câmeras por toda a sua extensão. A pasta não autorizou a publicação desses vídeos na internet. Eles também não haviam sido enviados para a polícia até ontem à tarde.

O pai do rapaz, o cortador de tecidos Francisco Maizo Fernandes da Silva, de 40 anos, disse ao Estado, após o enterro da vítima em Itaquaquecetuba, que não acha que seu filho tenha tentado se pendurar no trem.

"No boletim de ocorrência, não tem isso. Nenhuma testemunha que esteve lá conta isso. Meu filho era um pouco ativo, mas eu não acredito (que ele tenha tentado se pendurar)." O garoto não estava acompanhado de nenhum conhecido e nenhum passageiro que presenciou a queda foi ouvido.

Pêsames. Em nota, a CPTM "lamentou" o fato e disse que contribui com a investigação. A empresa disse que internamente apura as circunstâncias do fato e "testemunhas ouvidas pela CPTM" relatam que, por volta das 17h, "um rapaz pulou da plataforma para o estribo de uma das portas, quando o trem ainda se movimentava".

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