Estratégias vão de kits a salas de relaxamento

Para responder ao comportamento compulsivo - e muitas vezes violento - dos viciados, algumas cidades europeias, como Viena, criaram salas de relaxamento. A ideia é tentar acalmar dependentes de crack que precisam de assistência e muitas vezes sofrem de exaustão psicológica e física, além de tensão e paranoia.

O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h04

Salas de "chill out" (relaxamento, em inglês) também foram criadas em Barcelona nos últimos anos, com camas para permitir que viciados possam descansar. Bélgica, França, Luxemburgo e Holanda também vêm repetindo com certo sucesso a experiência. Em alguns casos, o "kit crack" é oferecido. O viciado recebe tubo de vidro com boquilha, filtro metálico, bálsamo labial e toalhas para as mãos.

O modelo foi implementado a partir da experiência de Zurique, que, nos anos 1980, revolucionou o tratamento de viciados ao abrir centros de atendimento, oferecendo substitutos às drogas, descriminalizando o consumo e tratando o problema como questão de saúde, não de polícia.

Para o Observatório Europeu de Drogas, com sede em Lisboa, "apesar de polêmicas, essas intervenções poderão reduzir o comportamento de consumo de droga injetada e a partilha de cachimbos de droga".

Segundo números da entidade, em 2009, o serviço de saúde em Londres atendeu 7.500 viciados, que iniciaram tratamento ambulatorial. Na Holanda, 1.200 consumidores de crack foram tratados naquele ano. Resultados coletados a partir de 12 centros de tratamento em Londres mostraram que 60% dos pacientes chegaram a um estado de abstinência em um ano.

O problema, admitem os europeus, é que, para cada pessoa tratada, a droga ganha um novo viciado. "A guerra contra as drogas não funcionou em nenhum lugar do mundo", afirmou Ruth Dreifuss, ex-presidente da Suíça que, junto ao ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, fez parte de um grupo internacional para propor alternativas ao problema.

Doença. "Enquanto o assunto se limitar a criminalizar o viciado, não teremos chance de vencer. Drogados são doentes explorados por criminosos. Esses sim devem ser combatidos. Mas o papel da sociedade e dos governos é proteger esses doentes", acredita Ruth. / J.C.

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