Estratégia de Alckmin é neutralizar discurso de Kassab

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deu início ontem a uma estratégia para neutralizar o discurso do prefeito Gilberto Kassab (DEM), seu provável adversário na sucessão ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. Ficou claro ontem, por exemplo, que o Estado vai tomar de Kassab a bandeira do projeto Operação Delegada, o "bico" remunerado que a Polícia Militar faz para a Prefeitura de São Paulo desde 2009.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2011 | 00h00

Alckmin quer reproduzir o programa criado por Kassab na capital em cidades do interior com mais de 200 mil habitantes. Sorocaba já implementou a parceria na semana passada. São José do Rio Preto e Campinas devem ser as próximas contempladas. E o "bico" também foi estendido à Polícia Ambiental, que vai poder combater as ocupações irregulares em áreas de proteção permanente e o descarte de entulho.

Em uma eventual campanha daqui a três anos, Kassab não vai ter como dizer que é o pai de um projeto levado para todo o Estado por Alckmin. O governador desfruta de altos índices de popularidade no interior e na Baixada Santista, onde o prefeito ainda é desconhecido.

Por outro lado, Kassab não pode manter uma relação conflituosa com o governo estadual nos seus dois últimos anos de governo. Para completar sua meta de zerar o déficit de vagas nas creches, por exemplo, uma das promessas feitas na campanha de 2008, Kassab precisou pedir socorro ao Estado. Historicamente nenhum prefeito de São Paulo conseguiu realizar grandes obras sem a ajuda dos cofres do Estado.

É por isso que, mesmo em breve dentro de um PMDB alinhado ao governo federal petista, Kassab terá de manter a diplomacia com Alckmin. Qualquer falta de sintonia entre os governos poderá naufragar a candidatura paulistana à sede da abertura da Copa do Mundo de 2014. E, neste caso, o desgaste maior recairia sobre o prefeito, que defendeu o Morumbi, depois lançou Pirituba e por fim abraçou o projeto do estádio corintiano. Tudo em menos de 12 meses.

A dependência das verbas liberadas por Alckmin indica que Kassab deve ter mais cautela nas negociações políticas. Nos bastidores, comenta-se que a aproximação do prefeito com partidos de esquerda vem causando indignação no alto clero tucano. Oficialmente, porém, Kassab continua protocolar no trato com o PSDB e diz que o partido sempre foi aliado. A ver em 2014.

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