''Estratégia da defesa é explorar as dúvidas dos jurados''

''Estratégia da defesa é explorar as dúvidas dos jurados''

Logo no primeiro depoimento de ontem, o da delegada Renata Pontes, a defesa do casal Nardoni não deixou dúvida: vai partir para o debate da prova técnica. É aí que será decidido o destino dos réus. E o criminalista Roberto Podval mostrou-se preparado ao questionar a delegada. Conseguiu acuar uma testemunha-chave para acusação. Renata, até então, fazia um relato claro e firme sobre sua investigação. Lembrava-se de detalhes como o telefonema que o réu Alexandre Nardoni lhe teria feito na tentativa de incriminar o porteiro do prédio. A policial descreveu aos jurados até o seu roteiro ao entrar no apartamento do casal. O que parecia ser mais um relato amplamente favorável à acusação transformou-se completamente quando o criminalista Podval passou a indagar sobre laudos que não foram pedidos pela polícia e sobre conclusões que a delegada expôs em seu relatório sem a confirmação de exames. Esse foi o caso do sangue no carro do casal que a delegada disse ser de Isabella. A defesa deixou claro ainda que tentará explorar a dúvida, mostrar que as provas seriam insuficientes para a condenação dos réus. Os próximos dias do julgamento não devem ser diferentes: a promotoria e a assistência da acusação defenderão o resultado obtido pelos peritos e legistas e a defesa tentará desqualificá-los.

Análise: Luiz Flávio Gomes*, O Estadao de S.Paulo

24 Março 2010 | 00h00

Ficou clara ainda, nesse segundo dia do julgamento, a necessidade de nova revisão das normas que regem o júri. Quando se decidiu pelo fim da leitura de peças dos processos, que consumia horas e horas, não se imaginava que essa etapa cansativa e desnecessária seria substituída pela "oralização" do julgamento. Quase 90% do que as testemunhas ouvidas disseram no plenário já está escrito nos autos. A maioria desses depoimentos não precisaria ser repetida. Fiz parte da comissão que propôs a reforma do júri, mas reconheço que devemos repensá-la. Nos Estados Unidos, cerca de 90% dos casos nem vai a júri, pois terminam em acordo. Os americanos são muito mais objetivos do que nós. Devemos aprender essa lição.

*É JUIZ APOSENTADO E PROFESSOR DE DIREITO PENAL

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