Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Estrangeiros são recebidos com festa

Em Franco da Rocha, samba deu boas-vindas a médica de Honduras; parte dos 670 profissionais começa a atender nesta semana

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2013 | 02h09

A maioria está na faixa dos 30 anos, é homem, com especialização em Saúde da Família e experiência em missões internacionais. Da lista de 670 médicos formados no exterior, aprovados em avaliação do Ministério da Saúde e com previsão de atender a população a partir desta semana, 400 são cubanos e apenas 116, brasileiros. No grupo ainda há portugueses, bolivianos e até russos, entre outras 40 nacionalidades. Ontem, parte deles foi recebida com festa nas cidades paulistas.

Em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, o evento de boas-vindas organizado pela prefeitura teve direito a escola de samba. Coube à bateria da X-9 Paulistana receber Glenda Meza Bautista, de 28 anos. Nascida em Honduras, a médica se formou em Cuba e chega ao município com a experiência de já ter atuado em programa semelhante na Venezuela.

Com flores, solenidade oficial e muito choro, a pequena Santo Antônio de Posse, no interior, recebeu ontem a cubana Silvia Maria Cobas Blanco, de 44 anos. Ela é a única representante do Mais Médicos na cidade. "Não estou acostumada com essa recepção, jornalistas, entrevista, discurso. Estou aqui para trabalhar pelo povo", disse, em bom "portunhol".

Silvia foi recepcionada em uma solenidade na Câmara Municipal da cidade. Além de uma bíblia em espanhol e flores, a médica recebeu de presente uma camiseta da seleção brasileira da Copa de 58. "Somos o país do futebol e, por isso, quis presenteá-la com a camisa da primeira vitória do Brasil em uma Copa", afirmou o prefeito Maurício Comisso (PRB).

Experiência. Apesar de origens diferentes, os estrangeiros que chegam ao País têm em comum um histórico de superação de dificuldades no dia a dia do atendimento médico. Por isso, boa parte deles não se incomoda com críticas relacionadas à pouca estrutura das unidades básicas de saúde no Brasil.

"Já atendi em locais que nem iluminação tinha. Já perdi paciente por falta de medicação. Aqui tem farmácia, tem equipe. As críticas são políticas. Vim para trabalhar, estou animado", diz o boliviano Mario Puente, de 42 anos. Formado em Cuba, é especializado em terapia intensiva. Amanhã, ele é esperado no Guarujá, litoral paulista. Assim como Puente, outros profissionais selecionados pelo programa federal trazem especializações na bagagem. Entre os médicos com diploma de fora, há até cirurgiões.

É o caso do argentino Lucas Gabriel Canavoso, de 33 anos. Escalado para atuar em Praia Grande, também no litoral paulista, o médico tem mestrado e chegou a atuar na Espanha, por quatro anos. "Acabei ficando sem emprego, soube do programa brasileiro e me inscrevi."

A língua não será um obstáculo para o funcionamento do programa, afirma o governo. Só 11 estrangeiros registraram dificuldades de adaptação - eles passarão por uma recuperação de duas semanas.

Antes de receber a notícia de que foi aprovada na avaliação feita por representantes do Ministério da Saúde, Melissa Cristal, de 26 anos, aproveitava cada momento de folga para estudar. Selecionada para atender na capital, ela adiou compromissos sociais para treinar o português. "Ainda não saí à noite. Sei que a fama de São Paulo é boa, muitos restaurantes, bares bons. Mas vou ter tempo para fazer isso depois", diz.

Em São Paulo, 13 unidades básicas terão intercambistas em seus quadros de funcionários./COLABOROU RICARDO BRANDT

Tudo o que sabemos sobre:
saúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.