Estrangeiro pede prédio perto de favela

Há alguns dias, um casal de gregos pagou R$ 1,5 milhão por apartamento de 80 m² em Ipanema, próximo à entrada do Cantagalo

RIO, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2012 | 03h03

Os preços altos dos imóveis em áreas nobres do Rio não impedem que os turistas já tenham até seus bairros favoritos para morar na zona sul. O objeto de desejo dos paulistanos, por exemplo, é Ipanema. "É como já disse Vinícius de Moraes: só haverá democracia quando todos morarem em Ipanema", diz Luiz Carlos Bulhões, dono da BCF Imobiliária e sócio da Coelho da Fonseca no Rio.

Já os estrangeiros têm um gosto mais peculiar: adoram prédios perto das favelas. Se for aos pés do Morro do Cantagalo, em Ipanema, onde já foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), melhor ainda. "O brasileiro ainda desconfia dessa proximidade com as favelas, mas os estrangeiros acham curioso", diz Antonio Brittes, corretor de imóveis há mais de 15 anos. Na semana passada, ele fechou uma venda típica desses novos tempos da cidade. Um casal de gregos pagou R$ 1,5 milhão por um apartamento de 80 m² em Ipanema, bem próximo à entrada da favela do Cantagalo.

Os mineiros, por sua vez, abrem mão das paisagens de novela da zona sul do Rio. Preferem a Barra da Tijuca, na zona oeste. "Principalmente por causa dos serviços que os condomínios da Barra oferecem. Lá eles acham mais fácil se enturmar. Em Ipanema, sentem-se deslocados", diz Luiz Carlos Bulhões.

Outro bairro-fetiche atrai turistas endinheirados: o Leblon. A paulista Sabrina Sato (foto), apresentadora do programa Pânico na TV, demorou para achar o seu, mas conseguiu. Comprou um apartamento de três quartos na rua mais badalada do Leblon, a Dias Ferreira. Pagou cerca de R$ 1,5 milhão. Quando está no Rio, Sabrina se divide entre os dois programas que o carioca típico mais gosta: praia de dia e samba à noite. Ela é rainha de bateria da escola de samba Vila Isabel, na zona norte.

Para poucos. A Avenida Delfim Moreira, na Praia do Leblon, já está entrando para o seleto grupo dos endereços mais caros entre as principais capitais do mundo. Corretores cariocas avaliam que o preço médio do metro quadrado lá é de US$ 25 mil, podendo chegar a até US$ 35 mil em prédios mais luxuosos. Essa cotação colocaria o endereço em sétimo lugar entre os mais caros do mundo. Levantamento de imóveis feito em 2011 pelo jornal Financial Times em metrópoles da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia (veja ao lado) colocou Hong Kong no topo do ranking e Genebra em sexto lugar, com um metro quadrado de U$ 43 mil.

Seja qual for o bairro, quem aluga ou compra um cantinho no Rio quer curtir o que a cidade tem de melhor. O empresário Álvaro Coelho da Fonseca, dono da imobiliária homônima de São Paulo, achou que tinha de investir no Rio. Associou-se à BCF Imobiliária para aproveitar o excelente momento do mercado carioca. Não resistiu. Alugou um apartamento na Delfim Moreira e agora passa os fins de semana na cidade. Gosta tanto que foge do trabalho quando está no Rio. "Eu tento aproveitar a presença dele para falar de negócios, mas ele não gosta", brinca Bulhões. / MÁRCIA VIEIRA

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