Estrangeiro em SP não acha quem o entenda

Visitantes sofrem para conseguir auxílio mesmo em locais turísticos da capital

TIAGO DANTAS , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h06

A cidade de São Paulo recebe, em média, 2 milhões de turistas estrangeiros por ano. Apesar disso, é raro encontrar pessoas preparadas para dar informações ou atender os visitantes em outros idiomas nos meios de transporte, em estabelecimentos comerciais e até mesmo em pontos turísticos.

Na quinta-feira, a reportagem acompanhou a visita de duas canadenses ao centro histórico e o passeio de um coreano pela Avenida Paulista. Dos 18 pontos do roteiro, em apenas um os turistas foram recebidos em inglês: o Mercado Municipal. Profissionais bilíngues também foram encontrados nas Centrais de Informações Turísticas.

Auxílio. A dificuldade de comunicação, porém, não impediu o tradutor Yu Bok Nyun, de 45 anos, e as universitárias Stephanie Dowcet, de 24, e Vanessa Blouin, de 23, de aproveitarem a visita a São Paulo. Quem não fala português acaba se virando com mímicas e com a ajuda de quem encontra na rua.

"Não dá para generalizar, mas algumas pessoas são muito amigáveis aqui. Mesmo que não falem inglês, elas tentam ajudar ao perceber que somos de fora. Outras são mais fechadas", diz Stephanie. Segundo ela, fica mais fácil tentar entender português quando a outra pessoa fala devagar.

Foi com a ajuda de algumas pessoas na rua que Bok conseguiu descobrir, mesmo sem falar português, qual ônibus deveria pegar para sair da casa onde está hospedado, no Brooklin, zona sul, e chegar à escola de idiomas onde está estudando português, em Pinheiros, zona oeste. "As pessoas com quem falei foram muito legais."

O professor David Weissberg, que dá aulas no curso de Turismo do Complexo Educacional FMU, acredita que a falta de profissionais que falem inglês pode atrapalhar o crescimento do turismo na cidade. Segundo ele, estrangeiros que vierem acompanhar a Copa do Mundo em São Paulo em 2014 podem encontrar dificuldades.

"É uma triste realidade. Não ter profissionais falando inglês é um problema sério para o turismo. A segunda língua é fundamental para essa área, pois faz com que o visitante se sinta mais acolhido." Para Weissberg, os setores ligados a alimentação e entretenimento são os que mais preocupam.

O diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes, Alberto Lyra, acredita que os restaurantes devem se preparar para receber ainda mais turistas estrangeiros por causa da Copa. A maior parte dos hotéis já está preparada para atender os estrangeiros, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado, Bruno Omori.

Sorte. A empresária chinesa Magen Chan, que está há quase um mês fazendo pesquisas de marketing na cidade, diz que não vê problemas nos restaurantes, mas, para ela, ainda é muito difícil se locomover. "Imprimo um mapa antes de sair e mostro o nome do lugar onde quero ir para o taxista. Tenho dado muita sorte. Já me perdi algumas vezes e tive de ligar para o tradutor que trabalha comigo e pedir ajuda", lembra Magen, que pretende voltar a Hong Kong na semana que vem.

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