'ESTOU COM SAUDADES, QUERO VOLTAR'

Brasileira de 16 anos está em Miami há 46 dias

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2013 | 02h04

A viagem de volta ao Brasil da adolescente paulistana V.L.S., de 16 anos, pode ser marcada nos próximos dias. Ontem, o Itamaraty confirmou que a jovem declarou seu desejo de sair dos Estados Unidos ao Consulado-Geral do Brasil em Miami. Os diplomatas ainda aguardam uma autorização das autoridades americanas.

V. está detida em um abrigo para menores de idade desde 27 de novembro, quando foi impedida de entrar nos Estados Unidos por oficiais de imigração. A família da adolescente diz que nunca soube o motivo da detenção, já que a garota estava com visto americano e passaporte em dia. Ela também já tinha programado a passagem de volta para São Paulo - em 26 de maio.

A jovem já tinha contado para a mãe, a balconista Alexsandra Aparecida da Silva, de 36 anos, que havia desistido de ficar no país. Ela confirmou oficialmente seu desejo anteontem, durante a visita de um funcionário do consulado ao abrigo.

No início da madrugada de ontem, ao falar por telefone com a mãe, a adolescente disse que está com saudades da família e que deseja voltar. "Não quero ficar aqui, quero voltar para o Brasil", afirmou. "Vai demorar muito (ser liberada). Estou com muita saudade de vocês (da família)... Quero voltar."

Caso insistisse em entrar nos Estados Unidos, a adolescente teria de esperar o resultado de uma audiência da Corte de Imigração americana, que foi marcada para o dia 31.

"Quando soube que minha filha pode voltar logo, deu até um frio no meu coração. Uns dias atrás, isso parecia uma coisa muito distante. Agora, pode ser que ela já esteja aqui comigo na semana que vem", disse a mãe, Alexsandra. "Até resolverem tudo, vai ser difícil dormir e me acalmar. Estou rezando para tudo isso acabar logo e a gente poder seguir nossa vida."

Por causa da detenção, Alexsandra até havia esquecido de renovar a matrícula de V. no segundo ano do ensino médio da Escola Estadual Rosa Bonfiglioli, no Jardim D'Abril, em Osasco, na Grande São Paulo. A situação foi regularizada anteontem.

Presente. V. ganhou a viagem para os Estados Unidos de presente da tia-avó, a corretora de imóveis Marli Volpenhein, de 41 anos, que vive no país. Ela embarcou sozinha e levou uma autorização dos pais, mas sem tradução para o inglês. Advogados dizem que a jovem também deveria ter carregado um documento no qual seus pais concediam a guarda temporária a Marli. Os papéis foram enviados ao consulado após a detenção, no dia 5 de dezembro, segundo a família.

Até 2009, menores de idade que viajavam sozinhos precisavam de uma autorização judicial. A resolução 131 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2011, estabelece que para crianças e adolescentes viajarem desacompanhados ao exterior a autorização dos pais deve ter firma reconhecida em cartório.

A autorização judicial deveria continuar existindo, segundo o advogado Ariel de Castro Neves, vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. "As regras atuais, além de facilitarem o tráfico de pessoas, também provocam situações como a dessa jovem, apreendida nos Estados Unidos", afirmou.

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