Estoque atual de água em São Paulo ainda é 19% menor que há 1 ano

Em agosto, tradicionalmente o mês mais seco, por exemplo, entrada de água nas principais represas ficou 50% abaixo do esperado

Edison Veiga e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2015 | 19h38

SÃO PAULO - Embora os mananciais paulistas tenham ensaiado uma recuperação após chegarem perto do fundo do poço em janeiro, a Grande São Paulo enfrenta seu mês mais seco, com um estoque de água 19% menor do que há um ano e diante de previsões climáticas pouco otimistas. 

Juntos, os seis sistemas utilizados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para abastecer cerca de 20 milhões de pessoas na região metropolitana somavam, na última sexta-feira, 522 bilhões de litros, 24% da capacidade total. Em agosto de 2014, o volume armazenado era de 647 bilhões (30%). No fim de janeiro, o índice chegou a 13%.

Tradicionalmente, agosto é o mês mais seco do ano. O balanço da primeira semana mostra, contudo, que a estiagem pode ser muito mais severa neste ano. Até o dia 7, havia chovido menos de 1% da pluviometria esperada para todo o mês. 

Segundo os boletins diários de monitoramento divulgados pela Sabesp, a quantidade média de água que entrou em todos os mananciais por meio das chuvas e dos rios neste início de mês foi quase 50% menor do que o esperado. Entraram 15,7 bilhões de litros, enquanto 32 bilhões saíram para abastecer a população. Resultado: seis dias consecutivos de queda generalizada no nível dos reservatórios.

Cantareira. O cenário voltou a ficar grave no Sistema Cantareira, cujo estoque de água hoje já é 35% menor do que há um ano. A vazão afluente às represas do manancial que ainda abastece 5,2 milhões de pessoas só na Grande São Paulo está 19% menor do que a média de agosto de 2014, que já havia sido a pior em 84 anos de registros.

O índice está próximo da vazão limite que o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, assegura que não haverá rodízio no abastecimento: até 20% pior do que a observada no ano passado. Enquanto a entrada de água do Cantareira caiu, a captação feita pela Sabesp subiu neste mês para compensar a seca no Sistema Alto Tietê e o atraso da principal obra emergencial, a transposição de 4 mil litros por segundo da Billings para a Represa Taiaçupeba, prevista para agosto, mas que só deve entrar em operação em outubro.

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), não há previsão de chuva para o Cantareira até o dia 12./ COLABOROU FELIPE RESK

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