Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Estilo paulistano na mira de um expert italiano

Rafaello Napoleone, organizador da maior feira de moda mundial, passeou por São Paulo e analisou como os homens se vestem

Valéria França, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2010 | 00h00

Como se veste o homem paulistano? Para responder, o italiano Rafaello Napoleone, de 56 anos, diretor do Grupo Pitti Immagine, empresa que organiza a maior feira de moda do mundo, em Florença, aceitou o convite do Estado para analisar alguns looks de rua. Ele esteve em São Paulo na segunda-feira, justamente para conhecer a moda da cidade. "Daqui, os italianos só conhecem a marca Havaianas e roupas de praia."

Depois de visitar lojas na Rua Oscar Freire e no Shopping Iguatemi, ambos endereços nos Jardins, Napoleone acompanhou a reportagem até a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no trecho próximo do Parque do Ibirapuera.

Com mocassim de camurça, sem meias - como gostam os italianos -, e terno, Napoleone logo apontou os sapatos como o ponto fraco dos paulistanos. "A maioria não se preocupa em ter um calçado bem estruturado. Assim como na moda feminina, é um acessório que levanta ou derruba o look."

Para ele não existe certo ou errado, mas equilíbrio no estilo que cada um resolve assumir. "Olhe aquele senhor", diz ele, apontando para um homem de cerca de 60 anos, com calça preta social e camisa com listras pretas e brancas, confeccionada com tecido nobre e bem cortada. "Os sapatos são brutos. Ele parece bem feliz com eles porque devem ser confortáveis, mas deixam a roupa deselegante." Tratava-se de um calçado esportivo de couro marrom, de sola de borracha. "No máximo ele poderia estar com um mocassim preto. Nunca sapato marrom e calça preta."

Um calçado assim despojado, segundo ele, pede um look mais esportivo. E foi por isso que ele aprovou o look do diretor de Desenvolvimento Tatola Godas, de 47 anos, que usava calça jeans, tênis de corrida e camisa de algodão por fora da calça. "Eu me visto sempre assim, até para as reuniões. Não consigo usar gravata, só quando é realmente necessário", explicou Godas.

Fashionista. Cesar Andrade, de 21 anos, assistente de moda do estilista Reinaldo Lourenço, ganhou elogios. "Tem muito jovem assim na Itália. Ele está bem vestido. O sapato tem inspiração inglesa, é bem estruturado e está em ótimas condições. Vi muito homem em São Paulo com sapato gasto."

Andrade tem um estilo bem ousado e moderno. Usava sacola grande de pano, óculos amarelos, jaqueta oversize, bermuda e meias pretas até o meio das coxas.

Napoleone estava em um trecho da Brigadeiro Luís Antônio onde há muitas clínicas e escritórios de publicidade. E ali, na calçada, passou todo tipo de paulistano. Entre eles, dois corretores de imóveis, Renato Monteiro Guedes, de 19 anos, e Eder Batista, de 40 anos. "O rapaz jovem está com um terno muito longo e folgado para o tamanho dele", disse. Os italianos costumam fazer ternos sob medida. No Brasil, é um privilégio de quem pode pagar caro por uma roupa. "Vi muita calça social com boca estreita (do tipo semibag). Tira a elegância."

De acordo com Napoleone, no Brasil não há muita opção de tecidos e modelos para os homens. O mercado nacional tem 52 marcas conhecidas de moda masculina aptas para exportar, segundo uma pesquisa do Instituo de Comércio Exterior, onde Napoleone abriu um escritório para aumentar o intercâmbio com o Brasil. "A moda feminina aqui é muito mais avançada do que a masculina", diz o italiano, que está na direção de pelo menos oito salões de moda, que reúnem as marcas mais famosas do mundo e atraem 21 mil visitantes à Fortezza da Basso, castelo medieval da cidade de Florença, na Itália.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.