Keir Gravil via REUTERS
Antirracismo. Manifestantes de Bristol derrubam e lançam em um rio a estátua do traficante de escravos Edward Colston  Keir Gravil via REUTERS

Estátuas racistas devem ser derrubadas? Veja o que dizem historiadores

Debate aumentou depois de manifestantes antirracistas derrubarem monumentos pelo mundo; para historiadores, debate passa pelo reconhecimento do poder

Brenda Zacharias, Especial para o Estado

23 de junho de 2020 | 14h34

Pense no nome da rua onde mora, da praça mais próxima de sua residência ou até de sua cidade-natal. Se tiver o nome e sobrenome de uma pessoa, quem ela foi? Para ganhar tamanho prestígio, alguma ação importante deve ter executado. E quando comprovadamente fez parte de um regime escravista, praticou tortura ou perpetuou racismo e ações discriminatórias? É por esse tipo de revisão que estátuas e monumentos estão passando.

Há um limite tênue entre a celebração e a lembrança histórica, dizem historiadores. Nas últimas semanas, o debate em torno de esculturas de traficantes de escravos ou de bandeirantes, no Brasil, questiona quem deve ser homenageado ou não, e como deve ocorrer essa escolha. Veja o que dizem historiadores e pesquisadores sobre a revisão de monumentos em ambientes públicos, e se deve ocorrer a substituição ou não desses elementos quando são considerados ofensivos.

Estátuas entraram na mira após protestos antirracistas

Em manifestações antirracistas que acontecem em diferentes países desde o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, esses marcos não têm passado ilesos pelas multidões que caminham nas ruas onde estão instalados, como a escultura do traficante de escravos Edward Colston, derrubada, arrastada e jogada em um rio por manifestantes de Bristol, na Inglaterra.

Outro exemplo foi a estátua de Cristóvão Colombo, considerado o descobridor do continente americano, decapitada em um protesto em Boston, nos EUA; em Londres, onde o nome entalhado em um pedestal de Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido nas décadas de 1940 e 1950, ganhou o complemento ‘era racista’.

Mais recentemente, o Museu de História Natural, em Nova York, anunciou que vai retirar a homenagem ao ex-presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, que fica na frente da entrada principal do prédio. A figura do ex-presidente está acompanhada de um homem negro e um homem indígena, o que sinaliza a discriminações estruturais no país.

O significado dos monumentos na vida urbana

Os marcos colocados em uma cidade viram, principalmente, lugares de memória. “São sobretudo uma reflexão sobre o passado, um debruçar-se sobre esses vestígios presentes para selecioná-los, para dar sentido, não tanto ao passado, como ao próprio presente”, explica Petrônio Domingues, professor associado de história da Universidade Federal do Sergipe (UFS).

Ou seja, as pessoas e ocasiões escolhidas para serem homenageadas dizem mais sobre o que a sociedade ou líderes valorizam do que realmente podem ter significado no passado. Com isso, acabam virando um espaço de disputa política e social -- o mais forte e valorizado será o representado. Prática essa comum desde a Antiguidade, explica a professora Iris Kantor, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP): “Por trás desse debate sobre o protagonismo nos mortos no mundo dos vivos, havia a intenção de fortalecer grupos políticos, manter oligarquias urbanas ou consolidar dinastias, nobrezas.”

Para Casé Angatu, da etnia Tupinambá, professor na Universidade de Santa Cruz (UESC), na Bahia, essa memória não fica restrita ao simbolismo, justamente porque a representação se materializa em um espaço. “Essas esculturas dizem quem é o dono da cidade. São erguidas para reafirmar que esse lugar tem dono e, geralmente, é quem mandou fazê-la”, diz.

Por que esculturas como o ‘Monumento às Bandeiras’, em São Paulo, estão sendo questionadas

No caso das homenagens a bandeirantes, questiona-se a celebração de figuras que foram repressivas a grupos indígenas. Em São Paulo, estão representados em esculturas urbanas, como o Monumento às Bandeiras ou a estátua do Borba Gato, ambas na zona sul da cidade, como também no nome de rodovias e da sede do governo do Estado.

Por isso, é natural que as estátuas criem questionamentos conflituosos, principalmente de grupos que foram violentados por tais figuras e nas ocasiões a que remetem. “Só existe história, reflexão histórica, a partir das questões do presente. Não são apenas os interesses de uma época que estão em jogo. É a própria estrutura do presente, o modo como a realidade se impõe a nós, que municia e guia nosso olhar ao refletirmos sobre o passado”, afirma Petrônio Domingues.

Este processo de revisão se estende a outros elementos de nosso cotidiano, reforça o historiador Flávio dos Santos Gomes, professor da pós-graduação em história na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Os usos das memórias são processos históricos com representações e narrativas. É fundamental entender esse processo. Se trata da reflexão sobre como a memória se dá nas imagens, sons, silêncios, locais, evocações, esquecimentos e escolhas”.

Sinalizaria, portanto, uma mudança no protagonismo de grupos sociais diferentes dos representados nas esculturas, explica o professor Eduardo Natalino, professor de história da América Pré-hispânica e da América Colonial na FFLCH-USP. "Aquela é a memória de um grupo social, de uma elite paulistana. Tal tipo de questionamento e de ato é uma maneira de trazer à tona certas histórias que foram absolutamente renegadas."

O que dizem os favoráveis à retirada de estátuas de bandeirantes e figuras racistas

Neste ponto, o debate pode divergir para dois entendimentos: um que busca a ruptura imediata com estes símbolos de dominação e outro que prefere conservá-los como documentos historiográficos. 

A exemplo da manifestação em Bristol, na Inglaterra, que acabou por derrubar a estátua do traficante de escravos Edward Colston, Carolina Piai, do coletivo Cartografia Negra, destaca o efeito que casos do tipo ganham. “O debate tende a esfriar depois de um tempo. Mas, depois que se derruba, eu não sei o quão rápido pode passar o debate. Ultrapassa a questão da história e chega na realidade. As pessoas só estão tomando essas atitude por causa de como as pessoas estão vivendo hoje”, explica ela.

Discutir o racismo e superá-lo passa pelo reconhecimento constante de como ele se apresenta em um ambiente -- de quem está nele e em que posição, por exemplo, e das homenagens prestadas ali. Pedro Alves, também do Cartografia Negra, defende a ideia de um “apagamento explicado”: ao derrubar uma estátua, por exemplo, abre-se a brecha para que mais pessoas perguntem quais foram os motivos desse ato, quem estava representado ali e como desejam que aquele espaço seja ocupado de novo. “Você muda o rumo da narrativa a força”, diz o pesquisador.

Repensar a colocação de estátuas racistas é necessária por serem um elemento de destaque na vida urbana. Eduardo Natalino compara a urgência de se debaterem tais símbolos à literatura. “Até os anos 1970, eram comuns os livros que exaltavam os bandeirantes como aqueles que expandiram o território. Não devemos queimá-los, e sim temos que produzir outros que desmistificam a imagem dos bandeirantes. Porém, o ato de ler um livro é diferente de passar todos os dias a caminho do trabalho pela estátua do Borba Gato, com toda a sua monumentalidade.”

Para Entender

Entenda quem foram os bandeirantes e por que eles são homenageados em São Paulo

Derrubar ou não estátuas que remontam a esse período levantou debate sobre representatividade; veja o que pesquisadores dizem a respeito da discussão

O que dizem os favoráveis a alguma forma de manutenção das estátuas

Há de se considerar que o momento em que os monumentos foram erguidos e que também constituem um material histórico. “Não faz sentido homenagear escravocratas, mas é preciso também compreender em quais circunstâncias políticas tais monumentos foram perpetuados”, defende Iris Kantor.

A historiadora Mary del Priore ecoa essa defesa. “Eles tiveram reconhecimento público e constituíram um serviço de utilidade pública em época diversa da nossa. São bens do Estado brasileiro e por isso pertencem a todos nós. Cabe a nós zelar por eles e esclarecer para as novas gerações por que estão ali.”

Os historiadores defendem, por exemplo, transpor as esculturas para museus e acervos públicos. “Talvez seja possível encontrar soluções diferentes, como por exemplo adicionar explicações nas placas, informações que  expliquem e apresentem os problemas à figura, a fim de refletirmos sobre a sua memória. É necessário recontar a história com outras vozes”, reforça o professor Petrônio Domingues.

Os monumentos serão retirados pela Prefeitura de São Paulo?

Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo diz que essa questão deve ser “amplamente debatida com a sociedade” por meio de consultas públicas. “A SMC é sensível à causa, tanto que tem como política a reformulação de nomes dos equipamentos que simbolizem ou homenageiem personagens e fatos que representem a opressão histórica da população brasileira.”

No texto, cita a alteração do nome da Casa do Sertanista para Casa do Caxingui, na zona oeste, onde hoje funciona o Centro de Referência de Cultura e Arte Indígena, e a dedicação exclusiva do Centro de Culturas Negras Mãe Sylvia de Oxalá, na zona sul, cuja programação é exclusivamente voltada para a cultura afro-brasileira. Porém, em relação ao Monumento às Bandeiras ou à estátua do Borba Gato, ainda não recebeu nenhuma demanda formal para revisão dos monumentos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Entenda quem foram os bandeirantes e por que eles são homenageados em São Paulo

Derrubar ou não estátuas que remontam a esse período levantou debate sobre representatividade; veja o que pesquisadores dizem a respeito da discussão

Brenda Zacharias, Especial para o Estado

23 de junho de 2020 | 14h31

Com os corpos fortes e eretos, encaram o horizonte com o queixo erguido – gesto que tenta representar a bravura e a coragem de figuras que foram incapazes de construir os seus impérios com respeito e tolerância. Estátuas e monumentos de figuras históricas como os bandeirantes, no Brasil, ou de traficantes de escravos passam por uma revisão de seus significados na história – como perpetuadores do racismo estrutural – e levantam o debate em torno da representatividade em espaços públicos.

Essas homenagens são frequentes na cidade de São Paulo: elas estão presentes em monumentos, nome de ruas e rodovias, como relembram discussões que cresceram nas redes sociais nas últimas semanas. Entenda, a seguir, a origem do debate em torno dos monumentos históricos que remetem ao período colonial do País.

‘Monumento às Bandeiras’ e ‘Borba Gato’: como são essas estátuas e onde estão localizadas em São Paulo

Localizado na praça Armando Salles de Oliveira, parte do complexo do Parque Ibirapuera, na zona sul da cidade, o Monumento às Bandeiras é uma obra esculpida em granito por Victor Brecheret (1894-1955). A escultura foi inaugurada em 1954 em comemoração aos 400 anos de São Paulo. Nela, se pode ver um bandeirante, montado em um cavalo, à frente de um grupo formado por indígenas, mamelucos e portugueses que puxam uma embarcação.

Já a estátua que representa o bandeirante Manuel de Borba Gato está situada entre as Avenidas Santo Amaro e Adolfo Pinheiro, também na zona sul. A peça de cerca de 13 metros de altura, contando o pedestal, esculpida em argamassa e trilhos, foi criada por Júlio Guerra (1912-2001) e concluída em 1963.

As homenagens aos bandeirantes, contudo, não param apenas nessas esculturas: a sede do governo do Estado é conhecida como Palácio dos Bandeirantes. As principais rodovias de São Paulo também têm nomes que remetem aos sertanistas – como Anhanguera, Fernão Dias e a dos Bandeirantes.

Outros monumentos na cidade de São Paulo que podem ser revistos

A revisão de figuras ligadas ao passado colonial também passa pelo apagamento de espaços ligados à memória da população negra na cidade, tanto do período da escravidão quanto dos marcos após a assinatura da abolição.

A antropóloga Raissa Albano, a educadora Carolina Piai e o pesquisador Pedro Alves coordenam o coletivo Cartografia Negra, que desde 2018 promove passeios pelo centro de São Paulo por marcos da história negra e da escravidão na cidade mas que, ao longo do último século, ganharam nomes e novas ocupações que atropelam a memória desse passado. A ideia central é recuperar estes locais de forma a exaltar as memórias de pessoas negras na construção da capital paulista.

O passeio do grupo destaca, por exemplo, o Largo Sete de Setembro, na região central, que antes era conhecido como o Largo do Pelourinho, local destinado ao castigo de escravos. Outro ponto é o Largo da Memória, ao lado da estação Anhangabaú do metrô, onde antes se localizava um mercado em que escravos eram leiloados. Ou até a região onde hoje se encontra o bairro do Bixiga, em que antes se localizava o quilombo urbano Saracura.

Quem foram os bandeirantes?

Os bandeirantes eram homens que trabalhavam na região sudeste com a exploração de minérios, escravização de indígenas e captura de escravos fugitivos no século 17. São Paulo estava na margem da colônia brasileira; foi, por muito tempo, uma região indígena e jesuítica, e veio a se urbanizar com maior intensidade apenas no final do século 19.

Não eram, contudo, conhecidos como “bandeirantes” durante a época em que atuaram. A historiadora Iris Kantor, professora de historiografia colonial na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), reforça que o termo foi cunhado por historiadores contemporâneos, como Affonso Taunay, que dirigiu o Museu Paulista a partir de 1917. Até então, eram conhecidos apenas como “paulistas” ou sertanistas. Neste episódio do podcast Na Quarentena, o pesquisador Paulo César Garcez Marins, da USP, conta essa história.

Mito bandeirante colaborou para a ideia de São Paulo ser o motor do Brasil

Conforme explica o historiador Casé Angatu, professor da Universidade Federal de Santa Cruz (UFSC), na Bahia, dois momentos são definidores para a mudança de cara da atual metrópole: a partir da década de 1870, durante a Belle Époque brasileira, em que se buscou “europeizar” arquitetonicamente a cidade de São Paulo, e na década de 1950, que retoma o ideário bandeirante no seu quarto centenário. “As homenagens simbolizam uma tentativa de a capital se desvincular de suas origens indígenas, negras, caboclas e caipira para se aproximar de uma metrópole europeia”, diz ele.

Nem sempre foram figuras celebradas. Eram, inclusive, vistos de maneira negativa até o século 17, quando tinham fama de mercenários e representavam um perigo para os aldeamentos, explica Iris. Três estudiosos, contudo, foram definidores para a mudança de perfil dos bandeirantes:

  • Nas crônicas de Frei Gaspar da Madre de Deus, feitas depois da expulsão dos jesuítas de territórios portugueses em 1759, a imagem dos sertanistas foi retocada. “Em seus escritos, ele requalifica a imagem negativa dos paulistas divulgada pelos jesuítas, exaltando a contribuição deles para a ampliação da soberania portuguesa na América”, diz a professora. Eles seriam os responsáveis por desbravar territórios e ampliar as fronteiras.
  • Com o historiador Affonso Taunay, que assumiu a direção do Museu Paulista em 1917, nas vésperas do centenário da independência do Brasil, ganharam representações em quadros e esculturas. Na pesquisa para compor o acervo, ele passa a organizar uma coleção de documentos ligadas ao período colonial, a História Geral das Bandeiras Paulistas, e acaba colaborando para a perpetuação do mito dos bandeirantes como desbravadores.
  • Depois de comemorado os 400 anos da capital paulista, esta imagem se consolida e ganha incrementos, como de que eram desbravadores e aventureiros, reforçando o ideário do empreendedorismo paulista, aspecto também presente no livro Caminhos e Fronteiras de Sergio Buarque de Holanda.

Essas narrativas, contudo, acabaram por apagar todo um histórico de violências cometidas pelos bandeirantes. Além das invasões e saques a aldeamentos, escravizavam comunidades indígenas e violentavam as populações originárias, principalmente as mulheres, reforça Angatu.

Para Entender

Estátuas racistas devem ser derrubadas? Veja o que dizem historiadores

Debate aumentou depois de manifestantes antirracistas derrubarem monumentos pelo mundo; para historiadores, debate passa pelo reconhecimento do poder

O que homenagens a bandeirantes significam para o apagamento da história

Tanto o Monumento às Bandeiras quanto a escultura do Borba Gato já foram alvos de protestos de grupos indígenas contrários à manutenção das peças em espaços públicos. Um dos mais recentes ocorreu em 2016, quando amanheceram manchadas de tintas coloridas.

Para Thiago Karai Djekupe, uma das lideranças Guarani M'bya da terra Tenondé-Porã, em São Paulo, manter estas figuras na posição como celebração é motivo de revolta. “Os bandeirantes são colocados como heróis, guerreiros, importantes para o progresso do País. Como pessoas que mataram e escravizaram são considerados heróis? A gente luta contra essa história porque as homenagens têm um peso muito grande para os povos indígenas”, diz ele.

Karai faz parte da Comissão Guarani-Yvyrupa, fundada em 2013 com o objetivo de firmar o reconhecimento das terras indígenas na cidade de São Paulo. Neste mesmo ano, membros da comissão fizeram um protesto que culminou em tinta vermelha jogada no Monumento às Bandeiras, um gesto que simboliza as violências cometidas pelos sertanistas.

O perigo de se firmar tais símbolos, para Raissa Albano, do coletivo Cartografia Negra, é perpetuar uma narrativa excludente, que deixa de fora a maior parcela da população. “Quando a gente fala de monumentos, de nomes de ruas, a gente tá falando de elementos que carregam um alto nível de simbolismo. Fazem parte de um discurso hegemônico. Tirá-los desses lugares é só uma parte do combate à posição deles na história”.

Pesquisadores defendem colocação de novos símbolos e da educação

Se as estátuas racistas permanecerão nas praças de São Paulo ou não, é um debate para se acompanhar ao longo do tempo. A questão central de movimento, para o historiador Casé Angatu, é perpetuar pela educação primária a história dos povos originários e de afro-brasileiros.

De acordo com ele, isso começa com a desmistificação do mito bandeirante nas escolas, fazendo o uso da lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Neste processo, por exemplo, é possível compreender que as maiores heranças dos povos indígenas não estão em monumentos, mas sim nos costumes dos paulistas -- como o sotaque. “A cidade tem uma das maiores populações indígenas do Brasil em números absolutos. Não dá mais para excluí-la do cotidiano”, diz.

Do mesmo jeito que, ao colocar novos espaços de memória e agir para a perpetuação da história desses grupos, a necessidade de trocar nomes ou revisitar monumentos não seja tão latente. Pedro Alves, do Cartografia Negra, cita como exemplo a Praça da Liberdade, antigo Largo da Forca, em que escravos eram executados. “Não sei se hoje em dia eu me sentiria mais pertencente se trocassem o nome da praça pelo do largo. Mas se tivesse um memorial ali em que essa parte da história fosse relembrada, aí, sim, eu me sentiria mais acolhido”, diz.

Parte desse reconhecimento também passa pelo firmamento dos territórios dos povos indígenas e segurança para que vivam na cidade, defende Karai: “As comunidades indígenas não invadem a cidade. É a cidade que está avançando nas comunidades.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.