Pedro Venceslau/Estadão
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'Estamos trabalhando com o pior cenário', diz diretor da Sabesp

Paulo Massato afirmou que é necessário recuperar a primeira cota do volume morto do sistema para poder descartar rodízio de água

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 10h55

SÃO PAULO - O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, disse na manhã desta quarta-feira, 25, que o recente aumento das chuvas ainda são insuficientes para que seja descartada a possibilidade de um rodízio de água severo na Região Metropolitana de São Paulo. "Temos que recuperar todo o volume morto da primeira cota. E temos que chegar a 28 ou 29 por cento (da capacidade de volume de água armazenada no Sistema Cantareira) para chegarmos ao início do volume útil", afirmou Massato. "Até lá estamos trabalhando em uma situação de contingência e de grave crise hídrica."

O principal manancial da Grande São Paulo opera com 10,8% da capacidade nesta quarta-feira após completar 20 dias consecutivos de altas, beneficiadas pelo mês de fevereiro mais chuvoso dos últimos nove anos. A três dias do fim do mês, já choveu 277,8 milímetros, cerca de 35% a mais do que o volume esperado para o período, de 199,1 milímetros.

O diretor da Sabesp participa na manhã desta quarta-feira de uma audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a atuação da companhia durante o período de estiagem. Massato disse que as chuvas de fevereiro levaram ao aumento da fluência e deixaram "a situação um pouco mais confortável". Ainda assim, o governo trabalha com um cenário pessimista. "Estamos trabalhando com o pior cenário possível", disse ele.

Massato causou constrangimento entre membros do governo estadual no fim de janeiro quando admitiu que a Sabesp poderia adotar um rodízio "muito drástico" na Grande São Paulo e que a população ficaria dois dias com água e cinco sem. A declaração foi retificada três dias depois pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) após reunião com a presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo o governador, não havia naquele momento "nenhuma decisão" sobre a possibilidade de implantação do rodízio.  

Já o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse em seu depoimento na CPI que "ninguém podia imaginar" a dimensão da crise hídrica. "O que aconteceu de outubro (de 2014) a janeiro (de 2015) foi algo surpreendente. Ninguém podia imaginar uma sequência de anos tão pobres do ponto de vista hidrológico."

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