''Estamos em área nobre e chique''

"Alguém mora aí?", pergunta o fotógrafo do Estado para três garotos sentados na frente da antiga casa noturna Urbano, na Rua Cardeal Arcoverde. "Não, está vazio", responde o mais velho, de no máximo 13 anos. "Então vamos entrar", diz o fotógrafo. "Só que aí o pessoal não vai gostar", rebate o menino. "Então, tem gente aí?", questiona o repórter.

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2010 | 00h00

Sim, há gente ali. Quem recebe a reportagem é Ciriu Sudare, o Piauí. "O que estão fazendo aqui?" O repórter responde: "Soubemos que aqui é uma invasão, que há reclamações e viemos checar a história". Piauí, então, faz um convite: "Deixa eu mostrar como todos são "de bem"."

O lugar tem cheiro de urina e lixo. Os corredores têm pequenos dormitórios. A pista de dança da extinta balada hoje é usada pelas crianças para jogar futebol.

Piauí diz que o lugar está "melhor" do que antes. "Gosto muito desse lugar e não sairia nem se me dessem um auxílio-aluguel", afirma, sorridente. "Estamos em uma área nobre e chique."

Nem todos, porém, pensam assim. A faxineira Orlandina Arruda Rezende, que mora sozinha desde novembro do ano passado, sonha em sair. "Tenho até condições de pagar um aluguel baratinho", garante ela, que ganha um salário mínimo. "Só tive de vir para cá porque a Prefeitura parou de nos dar uma ajuda. Se não, preferia ficar na zona leste, em um apartamento."

Ex-dono do Urbano e de um salão de beleza que funcionou no local, o cabeleireiro Mauro Freire diz que o proprietário do imóvel, para quem pagava aluguel até 2002, morreu e os herdeiros não apareceram. "É triste ver a deterioração de um imóvel tão valorizado e que poderia ser usado para funções úteis à cidade."

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