Estados terão banco de DNA de suspeitos

Material genético de cenas de crimes vai para rede de 16 Estados e do DF. Programa também pode identificar vítimas

Bruno Paes Manso, Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

A Polícia Científica de 16 Estados e do Distrito Federal vai montar um banco de dados nacional de perfis genéticos. Até o fim do ano, ele deve começar a funcionar e vai permitir identificar automaticamente se crimes diferentes foram cometidos por uma mesma pessoa, por meio do confronto do DNA recolhido nos locais de crime.

Para pôr em funcionamento seu banco e passar a incluir nos computadores dos sistemas os perfis genéticos de suspeitos, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo publicou ontem no Diário Oficial uma resolução na qual institui o banco. Deve funcionar na Superintendência de Polícia Científica.

A superintendência espera começar em outubro a incluir 80 perfis genéticos por mês no sistema. Estados como Rio, Minas, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná estão interligados. O mesmo programa automático de comparação de DNA do banco de perfis pode ser usado para identificar vítimas de acidentes aéreos e até para verificar se uma pessoa morta está envolvida em crime em que amostra de material genético de suspeitos foi recolhida.

"O servidor já está instalado para a inserção dos perfis", afirmou Celso Perioli, diretor da superintendência. Segundo ele, ninguém será obrigado a doar amostras de DNA. Isso só será feito mediante autorização da pessoa. O banco será alimentado pelo DNA de fios de cabelo, esperma e sangue achados nas cenas de crimes. Desses casos de autoria desconhecida deve vir o grosso das amostras.

Por meio delas será possível verificar se um estupro ou um homicídio em Belo Horizonte teve como autor uma pessoa cujo DNA está relacionado a um crime São Paulo. "Quando incluir um perfil genético, o sistema dirá se ele está relacionado a outro caso", disse Perioli. A partir daí, será preciso contatar a polícia que registrou o caso, a fim de ter informações sobre a apuração.

Barreiras. Para o cientista político Guaracy Mingardi, o banco é um avanço. Mas há barreiras. "Ninguém é obrigado a produzir prova contra si e por isso será necessário o suspeito concordar em ceder a amostra."

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