Estado vai construir megacomplexo na Imigrantes; ambientalistas protestam

Atual centro de exposições terá mais 167 mil m2; novo pavilhão e hotel estarão ao lado de reserva de Mata Atlântica em São Paulo

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2012 | 03h05

O governo estadual quer transformar o Centro de Exposição Imigrantes, na zona sul da capital, em um megacomplexo de eventos com quase o dobro do tamanho atual. A ideia é construir um pavilhão de exposições com 50 mil metros quadrados, um hotel para receber turistas e um centro de convenções, além de reformar as estruturas já existentes. Ambientalistas protestam contra a medida, alegando impacto a uma das últimas reservas de Mata Atlântica na mancha urbana da Grande São Paulo.

A proposta faz parte de projeto de lei enviado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Assembleia Legislativa, que prevê a retirada de uma área de 167 mil m² que hoje pertence ao Parque Estadual Fontes do Ipiranga, antigo Parque do Estado. Essa área abriga prédios institucionais de órgãos como a Secretaria da Agricultura e será incorporada ao centro de exposições, que fica bem ao lado. A ampliação, segundo o governo, é importante para estimular o turismo de negócios na capital e não trará impacto ambiental significativo (leia mais nesta página).

Atualmente, o centro de exposições é administrado por uma empresa contratada pelo governo, mas essa concessão vai expirar em março do próximo ano. Uma nova licitação, portanto, deverá ser feita para contratar o novo administrador. Ele terá de investir cerca de R$ 320 milhões nos 30 anos de concessão para as obras de ampliação do local. Além disso, outros R$ 26 milhões serão gastos para as compensações viárias.

Parte do lucro gerado pelo negócio vai para a conta do governo, uma vez que será exigido um valor de outorga da empresa vencedora da concessão - quem oferecer o maior valor leva o negócio. Também está previsto o repasse anual de 1% do faturamento para os cofres estaduais. A expectativa é de que o pavilhão de exposições fique pronto até 2014. O hotel e o centro de convenções devem ser inaugurados entre 2017 e 2018.

Críticas. Para o ambientalista Júlio Andrade, diretor executivo da ONG Pick-upau - que faz parte do conselho de defesa do parque -, o impacto ambiental do projeto é gigantesco. "A impermeabilização desse local, que hoje tem espaços abertos e funciona como corredor para a fauna e como área de amortização, será imensa. Aqui temos bugios, répteis e marsupiais vivendo livremente. O aumento do fluxo de pessoas também vai afetar esse equilíbrio." Ele afirma que a ONG vai pressionar a Assembleia para mudar o projeto.

Funcionários públicos dos prédios que serão desocupados também criticam a proposta. Além de reclamar do aumento do deslocamento até o trabalho - uma vez que a maioria mora por ali e os órgãos deverão ser transferidos para o centro da cidade - e de outras facilidades como creches e ambulatórios, eles dizem que os locais passaram por reformas recentes, pagas com dinheiro público.

"O Instituto Geológico conseguiu verba para fazer uma série de reformas. Estão acomodando seu acervo de rochas, fazendo uma mapoteca. Agora eles tiveram de parar tudo por causa das mudanças e não sabem o que vão fazer com o material", disse uma funcionária, que preferiu não se identificar.

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