Estado terceiriza o atendimento na Cracolândia

Governo convoca entidade privada para gerenciar unidade no centro da capital, que terá leitos para desintoxicação e moradias para usuários de crack

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2013 | 02h06

Após sucessivos fracassos na tentativa de acabar com a Cracolândia, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu terceirizar o atendimento aos usuários de crack da região central de São Paulo com um novo espaço de convivência e internação que terá até "moradias de crise" para 30 dependentes químicos, em pleno quarteirão onde há consumo aberto da droga.

A Secretaria de Estado da Saúde abriu anteontem concorrência para que uma Organização Social de Saúde (OSS) gerencie a unidade do Programa Recomeço que ficará na Rua Helvetia, 55, no coração da Cracolândia. O local vai oferecer atividades esportivas e culturais para 100 usuários por dia, 21 leitos para desintoxicação, além de dormitórios onde os dependentes poderão morar por até três meses.

"A gente chama isso de linha de cuidado. Do contato mais superficial, passando pela desintoxicação, até a moradia para reinserção social, o paciente terá um tratamento mais intensivo no mesmo ambiente, o que aumenta a chance de dar certo", disse o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do programa. "O grande desafio é como empurrar aquelas pessoas na rua para o tratamento."

A ideia é que ao menos o centro de convivência, que funcionará de segunda a sábado, esteja em operação até fevereiro. Já a estrutura completa, que foi espelhada em modelos adotados em Nova York, nos EUA, deve ficar pronta em seis meses.

O local servirá como retaguarda ao Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), que funciona a 1,4 km da Cracolândia e atende cerca 30 usuários 24 horas por dia. Quem optar pelo tratamento será encaminhado para a Helvetia, onde poderá ficar até quatro semanas na enfermaria de desintoxicação, antes de subir para a moradia assistida.

Segundo Laranjeira, a terceirização do atendimento para uma OSS visa a dar agilidade operacional ao projeto. "Será preciso fazer uma reforma rápida no prédio, contratar e treinar profissionais. Isso exige uma agilidade que, se fosse pela administração direta, seria difícil porque teríamos de fazer licitação e concurso público", disse. Serviço semelhante já é feito, por exemplo, no Hospital Lacan, em São Bernardo, Grande São Paulo, que tem 120 leitos.

Solução. Para Laranjeira, porém, para acabar com a Cracolândia será preciso também "intensificar o combate ao tráfico de drogas" na região. Em janeiro de 2012, a Polícia Militar chegou a prender mais de 100 traficantes numa megaocupação que espalhou usuários de drogas para outros 27 bairros.

À época, a ação foi criticada porque havia pouca opção de atendimento aos usuários. Hoje, mesmo com um equipamento inaugurado pela Prefeitura, cerca de 600 usuários habitam a Cracolândia. "Do ponto de vista da saúde não tem mais o que fazer", disse Laranjeira.

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