Estado terá pedágio por km rodado; testes vão começar por Campinas

Começa a ser testada, ainda neste ano, a cobrança de pedágio por km rodado em trechos das rodovias paulistas. Atualmente, o motorista paga taxas fechadas por trechos, independentemente da distância percorrida. O projeto-piloto vai ser adotado em três ou quatro pontos do Estado - um deles em um local indefinido no interior e os demais na região de Campinas.

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2011 | 00h00

O período de testes vai durar aproximadamente seis meses e será realizado em trechos de rodovias entre as praças de pedágio - principalmente onde a distância entre as praças é maior do que 50 quilômetros. A preferência será dada para vias com muitos acessos, justamente as consideradas mais difíceis de adotar um novo modelo de cobrança.

A reportagem do Estado apurou que os locais na região de Campinas serão Jaguariúna, Paulínia e Indaiatuba. Essas cidades foram bastante citadas nas últimas eleições estaduais, pois os moradores pagam taxas inteiras de pedágio para viajar poucos quilômetros e trabalhar em outras cidades da região. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu mudanças.

"Estamos conversando com as concessionárias e em fase de definição dos locais. Não faremos na região da capital, pois há muitas entradas em uma única cidade, o que poderia provocar resistência", disse a diretora-geral da Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Transporte de São Paulo (Artesp), Karla Bertocco Trindade. A Artesp vai fazer pesquisas para verificar a receptividade à medida. Depois, será aberto um período para cadastro dos interessados no sistema.

Serão instalados nas rodovias pórticos onde ficarão os equipamentos leitores de tags (adesivo com um chip dentro). Conforme a quantidade de passagens, maior será o valor da cobrança. Esses equipamentos funcionam por frequência e a forma de cobrança poderá ser por um sistema de créditos pré-pagos, com débito em conta ou enviando uma fatura para a casa dos usuários com o valor final.

Tecnologia. Os testes fazem parte das mudanças que o governo pretende implementar na cobrança automática de pedágios. Atualmente, essa prática é feita pelo modelo Sem Parar, no qual os veículos que têm uma tag passam pela praça sem a necessidade de enfrentar as filas.

A cobrança ocorre também por débito automático ou pagamento de boletos.

Mas a técnica é considera obsoleta e cara. "Essa tecnologia foi adotada em um contexto em que se pensava em outras medidas, como o pedágio urbano, e por isso era útil. A tag custa em torno de US$ 22 e ainda tem taxas de manutenção. Hoje, tecnologias mais modernas podem sair por US$ 2", disse o secretário de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho. Ele acrescenta que vai negociar para que as concessionárias ofereçam as tags gratuitamente.

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