Estado também vai pagar PM por 'bico oficial'

Atualmente, programa só funciona por meio de convênios com prefeituras, que custeiam horas extras dos agentes

O Estado de S. Paulo

27 de março de 2014 | 12h37

SÃO PAULO - A partir de abril, parte da Operação Delegada da Polícia Militar, também chamada de "bico oficial", será custeada pelo governo do Estado. Com isso, 3 mil policiais trabalharão no contraturno a R$ 160 por dia. O programa, que já existe, funcionava somente por meio de convênios com prefeituras, que bancam o salário extra dos agentes.

"Serão mil policiais por dia a mais para o Estado de São Paulo. A polícia, tecnicamente, sabe onde é mais necessário", afirmou o governador Geraldo Alckmin (PSDB), nesta quinta-feira, 27, durante evento que marcou a entrega de viaturas para as Polícias Civil e Militar, no Anhembi, zona norte da capital paulista. O secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse que indicadores serão usados para apontar as situações mais críticas e onde os agentes deverão agir. "Não havendo como suprir com a atividade delegada (em convênio com a prefeitura), o Estado vai bancar isso aí."

De acordo com ele, a ação será focada na capital e em partes da Grande São Paulo. No interior, "uma ou duas" cidades devem receber o projeto. "Estamos levantando os indicadores e as áreas mais críticas."

Morumbi. O coronel Benedito Roberto Meira, comandante da PM, deu um exemplo de como pode funcionar a Operação Delegada do Estado. "No Morumbi, vamos imaginar que a comunidade e os indicadores (de criminalidade) no Ladeirão exijam a necessidade de mais policiais militares ali. Por meio do pagamento dessa diária, eles vão ser colocados ali. Eu quero que se elimine o problema, não quero mais ouvir sobre o Ladeirão do Morumbi como problema. É isso que o governo e a sociedade querem."

De acordo com ele, um projeto de lei permitindo a Operação Delegada Estadual já foi aprovado e está em vigor. "Dependemos agora unicamente dos recursos de que o Estado dispõe." Meira destaca que o valor pago por hora trabalhada é "bem superior" ao do "bico" na folga. "Não quero mais policial meu morrendo em padaria, farmácia."

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