Estado também aposta em corredores

Será gasto R$ 1,96 bilhão para a construção de 120 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus, ligando cidades da Grande São Paulo

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2013 | 02h02

Com a visibilidade das faixas exclusivas para ônibus, implementadas pela Prefeitura, e um número limitado de feitos na área de transportes até as eleições do ano que vem, o governo do Estado decidiu também apostar em corredores metropolitanos de ônibus para incrementar as realizações da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) no setor.

O Estado teve acesso, nesta semana, ao plano de investimentos nos corredores. Será gasto ao todo R$ 1,96 bilhão para a construção de 120 quilômetros de corredores. A previsão é que as vias, juntas, transportem diariamente cerca de 756 mil passageiros.

Os corredores têm a função de melhorar a conexão entre as cidades da Grande São Paulo, fazendo ligações regionais, perimetrais, que atualmente são feitas por ônibus de linhas administradas pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). Apenas dois deles serão conectados à capital - os corredores Guarulhos-Tucuruvi e Itapevi-Butantã.

A proposta da EMTU é que, até 2025, 67% das viagens intermunicipais feitas por ônibus na Região Metropolitana sejam nessas faixas exclusivas - atualmente, apenas 17% delas ocorrem por esse sistema.

Segundo o presidente da EMTU, Joaquim Lopes da Silva Júnior, 60 quilômetros são a meta da gestão - e devem ser inaugurados até a metade do ano que vem. São os chamados BRTs - corredores com o pagamento da passagem feito nas estações de embarque e pontos de ultrapassagem dos coletivos. "Como são obras na superfície, precisamos firmar convênios com todas as prefeituras das cidades por onde passam os corredores, além de obter todas as licenças ambientais que, por exemplo, as obras do Metrô precisam", afirma Silva Júnior.

As conexões municipais, destaca Silva Júnior, abrem espaço também para maior integração tarifária entre as diversas linhas de ônibus municipais e intermunicipais. "Nos terminais, os passageiros podem trocar de veículo, o que também demanda planejamento da integração tarifária."

A medida, diz ele, abre caminho para facilitar a adoção de um único cartão de bilhete, aceito em todas as cidades da Região Metropolitana. Esse plano, no entanto, ainda está em fase de estudos e depende de acordo com as prefeituras.

Diferente do Metrô. Até as eleições do ano que vem, o Estado deve entregar a Estação Adolfo Pinheiro (da Linha 5-Lilás) do Metrô, as Estações Higienópolis-Mackenzie, Fradique Coutinho e Oscar Freire (da Linha 4-Amarela) e o primeiro trecho do monotrilho da Linha 15-Prata (entre Vila Prudente e Oratório, na zona leste). Mas a expectativa é de que haja, ao todo, sete linhas em obras - além das citadas, a Linha 17-Prata, na zona sul, a 6-Laranja, em direção à zona norte, a ampliação da Linha 2-Verde na direção de Guarulhos e a Linha 18-Bronze, o monotrilho do ABC.

Ao contrário do metrô, os corredores de ônibus são sistemas de média capacidade e obedecem a um plano específico, desenvolvido no começo da década e revisado posteriomente. Os traçados atendem locais que não têm a mesma demanda de uma região atendida pelo metrô ou por trens da CPTM.

"Além de serem obras mais baratas e mais rápidas, eles foram planejados para ligações com menos demanda do que o metrô. Não há um conflito entre construir metrô ou trens e os corredores. São obras complementares", diz o doutor em Transportes Jaime Waisman, do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade de São Paulo (USP).

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