Estado quer modernizar o Sem Parar

Governo paulista pretende substituir o modelo atual para acelerar o pagamento e reduzir o trânsito próximo das áreas de cobrança

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2011 | 00h00

O governo do Estado de São Paulo pretende substituir os modelos automáticos de cobrança de pedágio - o atual Sem Parar. O objetivo é modernizar todos os equipamentos colocados nas rodovias concessionadas paulistas para acelerar os pagamentos. Dessa forma, será possível reduzir congestionamentos perto das praças de cobrança e também diminuir os custos com operação, até mesmo com economia para os usuários.

O primeiro passo para a substituição do modelo aconteceu ontem, com a criação do Grupo de Estudos sobre Sistemas Automáticos de Arrecadação. Os integrantes vão reunir-se para estudar as modificações e precisam, em até 90 dias, propor medidas concretas ao secretário de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho.

Os modelos instalados atualmente nas rodovias são considerados obsoletos. Eles foram implementados há 11 anos, pouco depois das primeiras concessões para a iniciativa privada das rodovias - caso de Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco, Raposo Tavares e Imigrantes.

A resolução que previa a criação do grupo cita como exemplo de melhoria, a partir de mudanças, a maior vazão de veículos nas praças de pedágio (reduzindo congestionamentos) e a possibilidade de motoristas efetuarem pagamentos antes de entrarem nas rodovias e também durante suas viagens ou após concluí-las. A economia para Estado e usuários será concretizada caso os modelos escolhidos tenham custo de operação menor.

Embora não prevista na resolução publicada ontem no Diário Oficial do Estado, fontes no governo entendem que a modernização tecnológica pode possibilitar, por exemplo, que a cobrança do pedágio ocorra de acordo com o trajeto feito pelos motoristas e até mesmo diferenciando o momento do dia. Viagens em horários fora de pico poderiam resultar em pagamentos menores.

Um dos exemplos que já é de conhecimento dos técnicos da secretaria e será analisado é o da concessionária chilena Autopista Costanera Norte, que detém rodovias que chegam à região de Santiago. O modelo usado permite que apenas carros que tenham as "tags" (equipamentos eletrônicos) entrem nas rodovias e a cobrança do pedágio é feita por quilômetro rodado - diferentemente de valores fixos, como os adotados no Brasil.

Praças. A modernização também tem o objetivo de impulsionar a adesão dos motoristas aos métodos automáticos e semiautomáticos. Cada vez menos se pararia nas praças de pedágio para efetuar o pagamento manual - modelo que é maioria atualmente. Avalia-se que no futuro apenas o modelo automático será aceito. Inicialmente, no entanto, seria adotado um modelo misto, para não extinguir prontamente a forma manual.

Após os três meses previstos para a elaboração de medidas de modernização, avalia-se que a implementação total de um novo sistema possa levar até três anos. A secretaria - que detém o poder de determinar os modelos que serão utilizados - criaria um cronograma de implementação que deverá ser seguido pelas 19 empresas responsáveis por rodovias no Estado de São Paulo.

Histórico. A cobrança automática de pedágios começou a funcionar em 1999. A mudança foi aprovada por causa do aumento da capacidade das praças de cobrança - com a arrecadação manual, cada cabine pode receber entre 250 e 300 veículos por hora, enquanto na operação automática o número pode chegar a 2 mil. / COLABOROU RODRIGO BURGARELLI

Preços

Para instalar o sistema do Sem Parar no veículo é preciso pagar R$ 60,78 pelo equipamento. Além disso, a mensalidade para carros de passeio ou utilitários é de R$ 10,84.

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