Tasso Marcelo/AE
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Estado promete para março a UPP do Alemão

Exército continuará na área até junho, quando ficará completa a tropa de 2.200 policiais militares que vão atuar no complexo

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

Depois de o Exército prorrogar por duas vezes sua permanência no Complexo do Alemão, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, anunciou ontem que serão destacados em março os primeiros agentes para as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que serão instaladas no conjunto de favelas.

Os militares da Força de Pacificação continuarão na comunidade até junho, quando, segundo o secretário, estará completo o efetivo de 2.200 policiais militares que atuarão no complexo. Beltrame explicou que os primeiros 500 PMs destacados ocuparão duas das 13 favelas da região. Em abril, chegam mais 500 homens. Novo contingente com outros 500 policiais será destacado em maio. Em junho, chegam os últimos 700 PMs.

Desde que as Forças Armadas e policiais fluminenses tomaram a comunidade do domínio dos traficantes, em novembro, a data de saída dos militares foi adiada duas vezes. Inicialmente, a Força de Pacificação ficaria até junho passado. No início do ano, o governo do Rio pediu uma primeira prorrogação para outubro. Semana passada, houve nova solicitação de adiamento para junho de 2012.

O argumento usado pela administração estadual para a permanência era não haver tempo para formar os 2.200 novos PMs que atuarão nas comunidades. "A manutenção do Exército é muito maior (que a ocupação). Isso porque nós temos o Exército fazendo um trabalho para o qual, em tese, nós teríamos de deslocar um efetivo imenso", argumentou Beltrame, em entrevista à Rádio CBN.

Cronograma. Também ontem, o governador Sérgio Cabral (PMDB) garantiu que o cronograma de pacificação de comunidades não será alterado por causa dos conflitos ocorridos no Complexo do Alemão. Segundo ele, a permanência do Exército na comunidade até junho possibilitará até a antecipação de ações em outras comunidades. "É o que posso garantir e certamente os meliantes vão estar me ouvindo e vão ficar mais excitados, mas é a pura verdade. E, no fundo, eles agiram lá (no Alemão) porque já sabem disso", disse Cabral. "A presença do Exército já nos ajudou no calendário, mas a sua permanência até junho no Alemão nos permitirá uma antecipação de ações."

Ainda segundo Cabral, os distúrbios entre moradores e integrantes da Força de Pacificação, que antecederam aos confrontos armados, são, em parte, atos de boicote. Seriam promovidos por pessoas que perderam poder e dinheiro com a ocupação. / COLABOROU TIAGO ROGERO

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