Estado e Prefeitura vão analisar dados de crimes na Virada

Ocorrência de furtos, arrastões e assassinatos causará mudanças na organização; ideia é evitar a existência de palcos próximos

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2013 | 02h03

Os furtos, arrastões e assassinatos registrados durante a Virada Cultural, no último fim de semana, fizeram o Estado e a Prefeitura de São Paulo se comprometer a analisar os dados criminais nos próximos dias para checar o que pode ser feito para diminuir o número de ocorrências no ano que vem.

"Vale a pena nos debruçarmos sobre isso, verificar os locais em que são feitos (os shows) e a iluminação desses locais", disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB). A avaliação de algumas autoridades é que a concentração de palcos em pontos muito próximos pode ter favorecido a criminalidade. A distribuição das atrações por uma área maior pode ser estudada para a próxima edição.

O prefeito Fernando Haddad (PT) também afirmou que pretende analisar o balanço da Virada, mas negou que a concentração de palcos no centro tem relação direta com os crimes. "Os lugares são os mesmos (do ano passado). A diferença é que tivemos mais atividades no centro. E o que tem de errado em trazer mais pessoas para o centro?"

Vítimas. Duas pessoas que foram hospitalizadas durante a Virada continuavam internadas em estado grave ontem à noite. Uma delas é um jovem de 17 anos, baleado no tórax em uma tentativa de assalto. A outra é um homem de 40 anos que sofreu uma overdose. Ao longo da noite, 262 pessoas foram removidas de ambulância, segundo balanço da Prefeitura.

Dois frequentadores foram mortos. O padeiro Elias Martins Moraes Neto, de 19 anos, foi roubado e levou um tiro na cabeça na Avenida Rio Branco, por volta das 5h. O corpo foi sepultado ontem no Cemitério Jardim da Paz, em Embu da Artes, na Grande São Paulo. Um homem de 21 anos teve parada cardiorrespiratória com suspeita de overdose.

A Prefeitura informou ainda que quatro pessoas foram baleadas e seis foram esfaqueadas. A polícia apreendeu uma arma de verdade e ainda encontrou uma de brinquedo.

Estratégia. Ex-prefeita de São Paulo e ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT) defende a diluição das atrações. "Uma Virada que dilua mais a presença das pessoas pela enormidade de São Paulo diminui a aglomeração humana que propicia ações de delinquência e violência. Menos gente propicia um policiamento mais eficaz."

Sobre a adequação dos locais escolhidos para as mais de 900 atrações da Virada, Haddad declarou que o plano de segurança foi desenvolvido em parceria com a Polícia Militar e "em nenhum momento as apresentações no centro foram colocadas como obstáculo" para a segurança. Com relação aos shows, segundo o prefeito, "a Virada foi um sucesso".

Alguns frequentadores do evento relataram que viram policiais militares sendo omissos diante de roubos e brigas. Haddad descartou a possibilidade de que a atitude possa ter sido uma represália às mudanças propostas por ele na Operação Delegada (o bico oficial dos policiais). "O comandante me garantiu que vai apurar as informações de conduta indevida de policiais", explicou.

Luz. Outro problema levantado pelo público da Virada foi a falta de iluminação em alguns pontos do centro, como o Largo do Arouche e as Praça da República e Ramos de Azevedo.

"Reconhecemos que a iluminação pública em São Paulo está abaixo do esperado e essa Virada nos mostrou que alguns locais do centro precisam de um cuidado especial", disse o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro.

O secretário explica que o contrato com o consórcio responsável pela iluminação será estendido até dezembro, quando um edital será lançado. / BRUNO PAES MANSO, CAIO DO VALLE, JOÃO FERNANDO, LUCIANO BOTTINI FILHO E TIAGO DANTAS

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