Estado e Prefeitura farão nova ação na Cracolândia

Alckmin e Haddad se reuniram ontem para tratar do atendimento de viciados em crack e de sem-teto no centro

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2013 | 02h03

O governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo deverão voltar a fazer ação conjunta no centro da cidade relacionada a moradores de rua e também a viciados em crack. Os moldes da operação ainda estão sendo definidos, mas a ideia é fugir do perfil repressivo da operação na Cracolândia iniciada pela Polícia Militar em janeiro de 2011.

O prefeito Fernando Haddad (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se encontraram na tarde de ontem para tratar do tema. Haddad levou ao tucano a ideia de realizar um trabalho mais focado na área da assistência social e saúde, sem dispersar a população de rua pela cidade. A concentração no centro favoreceria o tratamento. A ação integrada deve começar hoje.

Questionado sobre o atendimento dado a moradores de rua no Centro de Convivência do Parque Dom Pedro II, onde a reportagem do Estado constatou falta de higiene e assistência, Haddad também disse que levaria o assunto ao governador. Ele afirmou que os funcionários públicos e integrantes da Guarda Civil Metropolitana não se sentem seguros para trabalhar no local.

De acordo com Haddad, a presença de usuários de droga no local dificulta a ação dos funcionários públicos. "Existe um problema que é a questão do crack, os funcionários públicos estão receosos de frequentar o local, porque não se sentem mais seguros", disse. "Os funcionários públicos e a própria guarda não se sentem seguros para fazer o seu trabalho", completou.

Segundo Haddad, o local foi ocupado por moradores de rua que estavam na Praça de Sé. "Todos os equipamentos que foram instalados lá já sumiram. Os chuveiros sumiram, muita coisa sumiu."

Mudança. A administração municipal aposta em um novo local na zona norte, com 500 vagas, como opção para encaminhamento de moradores de rua. Segundo ele, vários locais da cidade ocupados por essa população foram "retomados". "Se vocês observarem o que aconteceu na cidade do começo do ano para cá, praticamente todas as praças foram retomadas, Largo de São Francisco, Julio Prestes, Patriarca, Praça Ramos, Praça da Sé, todas essas praças foram retomadas", disse.

Na Câmara Municipal, lideranças do Fórum Municipal de Assistência Social (FAS) fizeram ontem uma reunião pela manhã para discutir a crise na área. O órgão e coordenadores de entidades que trabalham em parceria com a Prefeitura prometeram convocar uma paralisação no dia 16 em todos os abrigos municipais. Hoje uma nova audiência marcada pelo FAS no Legislativo vai debater o tema.

Vazios. "Pela primeira vez na cidade houve uma redução das verbas da assistência social (-14% em 2014, em relação a 2013). Os vazios sociais estão cada vez maiores, as crianças vítimas de violência não têm onde ficar, as mulheres afastadas da convivência familiar, após serem vítimas de violência doméstica, também não encontram assistência alguma do governo. O problema não é só o descaso com moradores de rua", critica Padre Ledio Milanês, coordenador do FAS. "Queremos apoio dos vereadores para tentar reverter essa queda de orçamento na segunda votação da peça na Câmara."

O vereador Ricardo Young, líder do PPS, apresentou requerimento para convocar a secretária de Assistência Social, Luciana Temer, para explicar a situação no Legislativo. "É uma grave questão que merece explicações da secretaria. As imagens da reportagem mostram que a situação era mais grave do que a gente imaginava", criticou Young, citando reportagem publicada domingo no Estado.

Líder do PSDB, o vereador Floriano Pesaro foi no domingo até a tenda do Parque Dom Pedro II. "Nem o segurança da área sabia dizer se alguém cuidava do gramado. Moradores de rua voltaram a ocupar pontos da região central que já tinham o problema solucionado e estamos vendo as crianças voltarem a fazer malabarismo nos semáforos", disparou o tucano. / A.R. e DIEGO ZANCHETTA

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