SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Estado e Prefeitura entregam menos de 1% das moradias prometidas em PPP

Alckmin e Haddad participaram de evento nesta quinta na região central de SP

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2016 | 12h38
Atualizado 29 Dezembro 2016 | 19h18

SÃO PAULO - Com três meses de atraso, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) entregaram só 126 dos 20 mil (0,6%) apartamentos prometidos em 2013 na primeira Parceira Público Privado (PPP) da habitação no País em evento nesta quinta-feira, 29, na Rua São Caetano, na Luz, região central de São Paulo. Estado e Prefeitura culpam a falta de interesse do setor privado.

As 126 unidades fazem parte de uma licitação com a contratação de apenas um dos lotes do projeto original, com 3,6 mil moradias em março de 2015 e que deve ser finalizada em seis anos. A primeira parte, destas unidades da rua São Caetano, estavam previstas para outubro. Além delas, mais 91 estão previstas em um prédio na Alameda Glete, já em obras, e mais 1.200 apartamentos na região da Nova Luz, que devem ter as obras iniciadas só em 2017. 

O projeto original da PPP, de 20 mil unidades, anunciado pelo Estado e pela Prefeitura em 2013, não foi adiante por falta de empresas interessadas. A licitação finalizada em março de 2015 só conseguiu fechar um de quatro lotes. que prevê investimento de R$ 919 milhões da iniciativa privada e R$ 465 milhões do governo do Estado divididos ao longo de 20 anos. A Prefeitura entra com R$ 20 mil por unidade habitacional. 

O Estado ressalta que como os outros três lotes não avançaram, foram lançados novos projetos, como a PPP da Nova Cidade - Albor, que pode viabilizar 13,1 mil moradias na região metropolitana. O edital só deve ser publicado no próximo mês. 

À época do anúncio foram prometidos prédios nos distritos da Sé e República, e nos bairros do entorno do Brás, Bela Vista, Belém, Bom Retiro, Cambuci, Liberdade, Mooca, Pari e Santa Cecília. "Parceria público-privado você precisa ter privado interessado. Se você não tem empresa privada interessada, ela não existe, não é uma obra publica. Nós fizemos a PPP, só este lote teve interessados", disse Alckmin. "O prazo é seis anos para a PPP estar completa, nós estamos antecipando", disse. 

Amizade. O ato foi marcado pela presença de militantes do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), uma das entidades que mais cobraram a entrega das moradias. Durante os discursos dos políticos, o grupo gritou "Fora, Temer!".

Apesar da presença entre políticos antagonistas no cenário eleitoral - Haddad, derrotado na eleição municipal, o prefeito eleito João Doria (PSDB) e Alckmin - o clima foi de elogios. Eles ressaltaram o apoio mútuo para "além" dos partidos que pertencem. "Tomei a liberdade de logo depois da minha posse ligar para o governador Geraldo Alckmin e demonstrar, logo no primeiro momento, que eu jamais ia colocar interesses partidários acima dos interesses da população", disse Haddad. "A gente tem que reaprender a fazer política no Brasil. Os ânimos estão muito acalorados e a gente tem que colocar o interesse social acima de qualquer outro interesse pessoal, político, partidário, porque senão a população fica prejudicada".

Haddad também elogiou o prefeito eleito João Doria, que esteve no evento, mas não falou com a imprensa pois tinha outra agenda em seguida. "Estamos fazendo uma transiçao de alto nível. Já éramos amigos há muito tempo, continuamos amigos independentemente da questão partidária, e no que depender de mim não vai ser só torcida. No que eu puder colaborar, sabe que sempre vai poder contar comigo". Doria fez o mesmo. "Meu amigo, com o qual tenho feito uma excelente transição. Nossa relação é a melhor possível, a mais amistosa possível. Nos falamos praticamente todo dia, duas ou três vezes por dia e assim será até o último dia e nos dias sucessivos, já que o prefeito Fernando Haddad assume também uma posição no Conselho Superior da cidade de São Paulo". 

Já Alckmin ressaltou que Haddad fez um "belo trabalho" em seu mandato e disse que Doria pode "contar" com o governo do Estado.

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