Estado e iniciativa privada devem quase duplicar a Tietê

Início de obras de R$ 1 bilhão está previsto para 2009; expectativa é reduzir trânsito em 12% e acidentes em 50%

Eduardo Reina, de O Estado de S.Paulo,

17 de setembro de 2008 | 01h41

A Marginal do Tietê, em São Paulo, deve virar um grande canteiro de obras já em 2009, com a construção de 15 quilômetros de pistas nos dois sentidos, além de alças de acesso entre o entroncamento com a Avenida do Estado e a Ponte do Tatuapé. Para 2010 ainda está previsto o início da ampliação das pistas num trecho de 4 quilômetros entre a Rodovia Ayrton Senna e a ponte de acesso à Via Dutra.   Veja também:  As obras que vão quase duplicar a Marginal do Tietê   Medidas anunciadas contra o trânsito em SP   Corinthians vai perder uma área   No lado oeste, reformas já estão em andamento    No total, esses dois lotes de obras - que vão acrescentar 19 quilômetros à Marginal, que hoje já conta com 24,5 quilômetros - custarão R$ 1 bilhão, divididos entre governo e iniciativa privada. Segundo técnicos estaduais, a remodelação deverá garantir uma redução de 12% nos congestionamentos, de 40% no tempo de viagem e de 50% no número de acidentes ao longo da via.   O projeto prevê a redução de áreas livres entre as pistas locais e expressas, além de um estreitamento de faixas e acostamentos. Haverá locais com até 11 pistas de cada lado. O primeiro lote de obras, estimado em R$ 805 milhões, ficará por conta do governo do Estado, segundo o secretário dos Transportes, Mauro Arce. A outra fase estará sob responsabilidade da empresa que ganhar a concessão do complexo Ayrton Senna-Carvalho Pinto - com obras atualmente orçadas em R$ 27,1 milhões.   Desapropriações   Nos dois casos, serão necessárias desapropriações. "Haverá alargamento de pistas em alguns trechos e construção de vias em outros. O licenciamento ambiental está concluído. A licitação sairá em outubro", diz Arce. Estão previstas remoções nos dois lotes do projeto. O que cabe ao governo estadual tem custo estimado em R$ 40 milhões, segundo o secretário, e deverá incluir uma área do Parque São Jorge, pertencente ao Corinthians, e imóveis nas imediações de onde serão feitas alças de acesso da Avenida Aricanduva.   No trecho que caberá à iniciativa privada, a estimativa é de que as desapropriações custem R$ 6,8 milhões, de um total de pelo menos R$ 143,8 milhões em obras, conforme estudo de viabilidade financeira e cálculo do valor de outorga dos lotes D. Pedro II e Ayrton Senna-Carvalho Pinto. No ano passado, um projeto de ampliação que propunha pistas sobre o Rio Tietê foi descartado pela administração estadual.   Agora, a ampliação da Marginal ficou definida no edital de concessão da Ayrton Senna, lançado em 1º de setembro. O governo quer concluir a disputa no início de 2009. A concessão está sob responsabilidade da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e Arce garante que não haverá pedágio nas novas pistas. Caberá ao Estado ampliar e construir pistas entre a Avenida do Estado e a Ponte do Tatuapé. Está previsto, por exemplo, um complexo no Tamanduateí, que incluirá uma ponte na Avenida do Estado. Além disso, haverá alças de acesso da Avenida do Estado para os dois lados da Marginal, na ponte da Avenida Cruzeiro do Sul.   Cumbica   Estudos nas mãos da Secretaria dos Transportes mostram que circulam pela Marginal do Tietê mais de 1 milhão de veículos por dia, sendo 15% caminhões. O levantamento destaca ainda que o percurso médio de cada motorista é de 4 quilômetros. "Isso revela que a Marginal é utilizada como avenida local. O motorista prefere usá-la, mesmo congestionada, por considerar que não há semáforos - e por isso andaria mais depressa", explicou Arce.   A concessionária que vencer a licitação da Ayrton Senna terá de construir 4 quilômetros de pistas, nos dois sentidos, desde a Ponte do Tatuapé até o Viaduto General Milton Tavares de Souza, no Jardim Jaú. Também está prevista a construção de novos acessos à zona leste, pela Avenida Aricanduva, além de um trevo no Bairro dos Pimentas, em Guarulhos, e da instalação de faixa adicional na Rodovia Hélio Smidt, de acesso ao Aeroporto de Cumbica. No Vale do Paraíba, na Ayrton Senna, os recursos serão destinados para uma marginal com 11 quilômetros de extensão - as obras deverão ser realizadas nos segundo e terceiro anos de concessão.

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