Governo de SP/Reprodução
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Estado de SP tem uma internação por covid-19 a cada 2 minutos

São Paulo enfrenta aumento de óbitos e hospitalizações por coronavírus; governo Doria colocou todas regiões na fase vermelha por 15 dias

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 13h45
Atualizado 03 de março de 2021 | 15h19

Com o aumento de óbitos, casos e internações por covid-19, as redes pública e privada de saúde do Estado de São Paulo chegaram à média de uma hospitalização relacionada à doença a cada dois minutos na terça-feira, 2. Ao todo, 7.415 pacientes estão hospitalizados com suspeita ou confirmação do novo coronavírus em terapia intensiva, o que é 18,6% maior do que o pico do ano passado, que era de 6.250 internados. Além disso, 8.968 estão em leitos de enfermaria. 

Há uma semana, o governo João Doria (PSDB) chegou a dizer que a rede pode entrar em colapso em três semanas se as medidas de restrição não forem suficientes. O Estado anunciou nesta quarta-feira, 3, a inclusão de todas as regiões na fase vermelha a partir do sábado, 6.

“Isso é uma tragédia, é uma tragédia que pode ser ainda pior se não tomarmos medidas”, destacou Doria em coletiva de imprensa. Segundo ele, o Estado recebe um pedido de internação a cada dois minutos em hospitais públicos ou privados por causa da doença. “Esse é o termômetro da linha de frente, dessa tragédia que estamos vivendo”, disse.

A média diária de novas internações da atual semana epidemiológica (que segue até sábado) é de 1.906, a segunda mais alta de toda a pandemia (o pico foi de 1.962, na terceira semana de julho). Isso significa um aumento de 4,7% em menos de uma semana e de 26,6% em comparação à penúltima semana.

“Temos a tristeza de reconhecer a situação dificílima que estamos vivendo em São Paulo, e não é diferente do (restante do) País”, acrescentou Doria. Na terça-feira, 2, o Brasil bateu o recorde de registros de mortes pela doença em um único dia. “As próximas duas semanas serão as duas piores da pandemia no Brasil.”

Segundo dados do governo estadual, São Paulo tem 2.068.616 casos e 60.381 óbitos por covid-19. Na terça-feira, 2, foram confirmadas 468 mortes causadas pela doença, o maior registro feito no Estado desde o início da pandemia.

A ocupação de UTI é de 75,3%, média que é 76,7% na Grande São Paulo. Em leitos de enfermaria, a taxa é de 56,8% em todo o Estado, enquanto é de 63,5% na região metropolitana da capital.

“Com essa velocidade, não existe outra alternativa que não seja o isolamento, a  restrição do contato”, destacou o coordenador executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo. 

Segundo ele, um dos possíveis motivos para o maior número de internados é que a média de idade reduziu e, portanto, os pacientes permanecem por mais tempo nos hospitais. Outro fator que preocupa é a disseminação da variante da covid-19 identificada pela primeira vez no Amazonas.

“Essa segunda onda é diferente da primeira. Na primeira, nós tivemos as regiões aparecendo com surtos, fases mais intensas, mas eram transitórias. Passamos por todo o País, mas em momentos diferentes”, comparou Gabbardo. “Mesmo aqui em São Paulo, começamos na região metropolitana. Depois, na metropolitana, reduziu, e tivemos um aumento no interior. Hoje, o que percebemos é que o País inteiro está entrando em uma situação de colapso.”

Em parte do interior de São Paulo, a ocupação de UTI é ainda maior, chegando a até 100%. Como noticiou o Estadão, além da tentativa de abrir novas vagas, secretarias de saúde de municípios como Araraquara e Bauru transferem pacientes para evitar colapso de seus centros médicos. Na capital paulista, parte dos hospitais privados, como o Albert Einstein e o São Camilo, também estão com os leitos de terapia intensiva totalmente ocupados.

Na coletiva, o governador também anunciou a abertura de 500 novos leitos, dos quais 339 serão de UTI e 161 de enfermaria, em hospitais públicos, municipais, filantrópicos e Santas Casas. Segundo o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, o Estado tinha 3,5 mil leitos de UTI públicos antes da pandemia, número ampliado ao longo da pandemia e que chegará a 7.839 vagas até 31 de março.

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