Amanda Perobelli/Estadão – 16/8/2018
Amanda Perobelli/Estadão – 16/8/2018

Estado cede terreno do Pacaembu à Prefeitura

Covas quer conceder estádio à iniciativa privada; processo está suspenso pelo TCM

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 22h01

SÃO PAULO - Decreto publicado ontem pelo governo do Estado concedeu à Prefeitura de São Paulo o uso do terreno do Estádio do Pacaembu, na zona oeste de cidade, para que a gestão Bruno Covas (PSDB) dê sequência à proposta de conceder o centro esportivo à iniciativa privada.

O texto, no Diário Oficial do Estado, condiciona a concessão “à continuidade das atividades desenvolvidas pela municipalidade no local, bem como o desenvolvimento de outras de mesma natureza” por um prazo de 50 anos. 

A posse do terreno do estádio é um dos entraves que vinham impedindo a concessão do Pacaembu, em processo suspenso pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) em agosto. Em agosto, o governador Márcio França (PSB) veio a público com a informação de que o terreno do Pacaembu era estadual, fruto de uma doação da antiga Companhia City, que loteou o bairro no começo de 1920. 

O fato surpreendeu, uma vez que i consenso era de que o Pacaembu, que tem a frase “estádio municipal” escrita em concreto na fachada, era de propriedade da Prefeitura. O Município, na verdade, construiu o complexo na área estadual, em possível acordo de concessão que se perdeu no tempo. 

A atitude de França foi vista pela Prefeitura, na época, como uma ação política – ele disputava eleição contra João Doria (PSDB), que já havia saído da Prefeitura para concorrer ao mesmo cargo e foi quem lançou a proposta de concessão. 

França havia adotado posição similar, alguns dias antes, com o Parque do Ibirapuera, na zona sul. A área verde também é alvo de um processo de concessão, travado após o governador anunciar que a parte onde fica o estacionamento – e seria, portanto, a maior fonte de receitas para os parceiros privados – é de propriedade do Estado, não da Prefeitura. Covas chegou a anunciar mudanças no formato da licitação, que incluía também outros parques. 

A reportagem questionou o Palácio dos Bandeirantes sobre os motivos da mudança de posicionamento, adotado duas semanas antes de França deixar o Palácio dos Bandeirantes, mas não obteve resposta. Ao Estado, em entrevista publicada nesta semana, ele manifestou intenção de disputar a Prefeitura.

Próximos passos. A concessão do Pacaembu parou após a Prefeitura receber envelopes de quatro empresas interessadas na disputa. O recebimento dos envelopes foi feito depois de o TCM determinar a suspensão do processo, e há debates sobre o efeito legal desse ato. 

A Justiça também analisa uma ação, proposta por vizinhos do complexo contrários à concessão. Ela trata do temor do barulho trazido por eventuais shows. Esse processo também deixou de tramitar após a decisão do TCM. 

“O decreto apenas confirma uma situação há décadas consolidada, de aproveitamento e posse da área pela Prefeitura”, informou a gestão municipal, em nota. A administração Covas disse também que vai “responder aos questionamentos existentes sobre o assunto aos órgãos competentes e concretizar o processo de concessão”.

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