Estado apoia, mas Prefeitura não zera déficit em creche

Investimento de R$ 40 milhões vai ajudar a criar apenas 4 mil vagas; são necessárias 126 mil para zerar fila

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2012 | 03h04

O governo do Estado anunciou ontem que vai juntar esforços com a Prefeitura para reduzir o déficit de mais de 126 mil vagas em creches na cidade de São Paulo. O investimento de R$ 40 milhões para construção de 20 Centros de Educação Infantil (CEIs), no entanto, criará apenas 4 mil vagas.

Acabar com a falta de vagas em creches foi uma das promessas de campanha do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Para isso, porém, ele teria de criar 732 vagas por dia. No ano passado, pelo programa Creche Escola, Geraldo Alckmin (PSDB) já havia liberado R$ 42 milhões para construção de creches. "A Prefeitura libera o terreno e o governo, o dinheiro para fazer a obra", explicou o governador.

Alckmin reconheceu que ainda há outras prioridades. "São metas. Primeiro universalizou o ensino fundamental, depois universaliza o ensino infantil e finalmente universaliza a creche. Você vai avançando", afirmou.

Em São Paulo, as novas creches serão construídas predominantemente nas zonas sul e leste. O maior déficit de creches é na zona sul. Há cerca de 31 mil crianças à espera de uma vaga apenas nos bairros de Grajaú, Capão Redondo, Jardim Ângela, Campo Limpo, Cidade Ademar e Jardim São Luiz. Somados, eles representam 27,2% da fila total.

Bairros em áreas mais centrais, como República e Consolação, aparecem no fim da lista, assim como bairros nobres, como Alto de Pinheiros, na zona oeste, e Jardim Paulista e Moema, na sul. Nessas áreas, a demanda é de 400 vagas, o equivalente a apenas duas creches.

O prefeito afirma que o investimento ajuda a amenizar um dos principais problemas relatados pelas mães, que é distância das creches.

Desde Anchieta. Apesar de não cumprir a meta de zerar o déficit, Kassab chegou a dizer durante a campanha eleitoral de 2008 que "desde José de Anchieta" não se constroem tantas vagas. Segundo as contas oficiais da Prefeitura, eram 60 mil, em 2005, quando as creches atendiam crianças de até 3 anos. Em 2011, quando o sistema passou a atender também crianças com até 3 anos e 11 meses, havia 196 mil vagas.

A administração municipal abandonou em fevereiro uma das principais apostas para resolver o problema. A ideia era vender 18 imóveis e terrenos, entre eles um quarteirão inteiro no Itaim-Bibi, em troca de creches.

Em junho de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a Prefeitura atendesse parte dos cadastrados na fila e em unidades próximas de casa.

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