Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Estações República e Luz vão aliviar Sé e Paraíso em 20%

1 em cada 5 passageiros deve migrar para unidades da Linha 4 que serão abertas em setembro; na Consolação, movimento vai cair 33%

Tiago Dantas / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

Estação da Sé, 18 horas. Mesmo quem não frequenta o lugar regularmente sabe o que vai encontrar lá nesse horário: multidão, filas, empurrões, trombadas e vagões lotados. O Metrô acredita, porém, que os passageiros sentirão menos desconforto no próximo mês. A inauguração das Estações Luz e República, da Linha 4-Amarela, deve fazer o número de pessoas que passam pela Sé cair até 20%.  

 

 

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Na prática, é como se um a cada cinco passageiros que hoje utilizam o terminal deixasse de passar por lá e migrasse para a Linha 4. A mesma redução deve ser notada nas Estações Paraíso e Ana Rosa, que permitem baldeação entre as Linhas 1-Azul e 2-Verde. Já na Consolação, que liga as Linhas Verde e Amarela, o movimento pode cair 33%, segundo o Metrô. A quantidade de passageiros da Linha 4, por outro lado, deve subir quase quatro vezes - de 190 mil pessoas por dia para cerca de 700 mil.

"A sobrecarga no metrô de hoje se origina na falta de outras linhas. A abertura de novos trechos, como a Linha Amarela, vai reduzindo a concentração de pessoas nos ramais já existentes, principalmente onde há baldeação, pois as pessoas encontram outros caminhos para seus trajetos", avalia o professor de Engenharia Creso de Franco Peixoto, da Fundação Educacional Inaciana (FEI).

Descrença. Passageiros que aguardavam a chance de entrar em um trem na plataforma sentido Corinthians-Itaquera da Sé na sexta-feira, por volta das 18h15, receberam a notícia com descrença. "Espero que diminua mesmo (o número de passageiros na estação), porque do jeito que está fica difícil aguentar pegar esse metrô todo dia", reclamou a auxiliar de escritório Marina de Jesus Silva, de 26 anos, que esperou quatro trens para entrar.

Marina trabalha em um escritório perto da Avenida Paulista, região central, e mora na Vila Matilde, zona leste. Hoje, pega o metrô na Brigadeiro (Linha 2), faz baldeação no Paraíso (para entrar na Linha 1) e na Sé, de onde segue pela Linha 3. A partir do fim de setembro, ela poderá ir até a Consolação, pegar a Linha 4 até a República e seguir até a Vila Matilde.

"O Metrô está ganhando cara de rede. Vai ocorrer uma melhor distribuição da demanda", afirma o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô (Aeamesp), José Geraldo Baião. O dia de setembro em que as Estações Luz e República serão inauguradas ainda não foi definido. Quando os terminais forem abertos, a Linha 4 passará a funcionar em horário comercial, das 4h40 à meia-noite - atualmente, os trens param de rodar às 21horas.

Presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo concorda com as melhorias que o novo ramal trará, mas critica a velocidade das inaugurações. "O ideal seria já termos cerca de 200 km de malha. Temos cerca de 70." Em agosto de 2006, ao anunciar o consórcio que operaria o novo ramal, o Metrô previa que a primeira fase do projeto, que ficará pronta mês que vem, seria entregue em 2008.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Sérgio Avelleda, presidente do Metrô

1.Como a Linha 4 pode melhorar o conforto na Sé?

No trecho Paulista-Centro, a Linha Amarela vai ser uma opção paralela à Linha 1-Azul, então deve promover uma melhora de conforto. Ganha a Sé, porque toda a baldeação hoje é feita lá.

2.As plataformas de Luz e República pareceram maiores...

Os projetos foram feitos com mezaninos grandes, para que esse fluxo se dilua até a plataforma.

3.Quando será a inauguração?

No fim de setembro. Há testes a serem feitos.

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