Estações ainda são obstáculos para idosos e deficientes

Seis anos após decreto federal, 73 das 148 paradas de trem e metrô na capital e na Grande São Paulo continuam sem elevador

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Seis anos após o Decreto federal n.º 5296/2004, que tornou obrigatório a todo o sistema de transporte do País instalar itens que garantam a acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida, várias estações de trem e Metrô da Região Metropolitana de São Paulo ainda não têm esses equipamentos.

O governo federal deu dez anos para que tudo esteja adaptado e o governo do Estado de São Paulo garante que cumprirá o prazo, que vai até 2014.

Hoje, contudo, 73 das 148 estações - de trem e de Metrô - não têm elevador, item básico de acessibilidade. Usuários de algumas estações também sofrem com falta de rampas, que facilitariam a locomoção. As escadarias ainda são o principal meio de acesso às estações - as escadas rolantes, instaladas principalmente nas estações do Metrô, pouco ajudam. Elas não são consideradas item de acessibilidade segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Um dos casos que mais chamam a atenção é a Estação de Metrô da Vila Mariana. O distrito da zona sul é o que tem o maior número de idosos com mais de 75 anos em São Paulo - pouco mais de 8 mil, segundo a Fundação Seade. Lá, idosos e cadeirantes enfrentam inúmeras dificuldades para entrar e sair da estação, pela falta de elevador ou de rampas.

Morador do bairro, o aposentado Mário Masukura, de 84 anos, lamenta ter de enfrentar tantos obstáculos. "Tendo elevador seria muito melhor. Na escada, tenho de ir devagar, apoiando na bengala."

A dona de casa Maria da Glória Tocantis, de 55, que anda com o auxílio de muletas em razão de deficiência física, prefere forçar os braços a arriscar-se na escada rolante. "Lá passa todo mundo correndo. Tenho medo de cair."

Trens. As condições são diferentes da recém-inaugurada Estação Paulista, da Linha 4-Amarela, onde há diversos itens de acessibilidade. Ou das estações da Linha 9-Esmeralda da CPTM.

Ela, contudo, é uma exceção entras as linhas de trem, ainda mais problemáticas que as do Metrô. Algumas são antigas, de época em que acessibilidade não era tema discutido antes de se construir um prédio público.

Na Estação Imperatriz Leopoldina (Linha 8-Diamante), da década de 30, por exemplo, o usuário tem de subir lances de escada para chegar à estação e, só então, descer até a plataforma.

"É um martírio diário", afirma o aposentado Antonio Moraes, de 71 anos. Ele diz que só não adere ao transporte individual porque não tem condições financeiras de manter um automóvel.

Mesmo estações relativamente novas, como a José Bonifácio (Linha 11-Coral), na zona leste, impõem dificuldades. Pessoas em cadeiras de rodas relatam que não se arriscam a passar sozinhas por uma rampa construída na estação, com medo de tombar. Só passam com ajuda.

Os usuários da CPTM apontam ainda a dificuldade imposta pela distância entre a plataforma e o trem, que dificulta o acesso de pessoas em cadeira de rodas sem auxílio.

Dificuldades. A vereadora Mara Gabrilli (PSDB), autora de diversos projetos de lei voltados à população com mobilidade reduzida, afirma que a acessibilidade deve ser garantida, ainda que haja dificuldades para a realização de obras. "As estações da CPTM são muito antigas. Mas isso não pode ser desculpa. Se a Acrópole (região elevada na cidade de Atenas, na Grécia) tem, por que as estações da CPTM não podem ter?", questiona.

Quanto ao Metrô, ela diz tratar-se de um dos melhores do mundo, até em condições oferecidas para pessoas com mobilidade reduzida.

O QUE DEVE HAVER

Rampas

Corrimãos

Elevadores

Guias rebaixadas

Comunicação visual com o Símbolo Internacional de Acesso (SIA)

Comunicação sonora

Piso antiderrapante

Mapa tátil

Banheiros exclusivos

Piso tátil de alerta e rota tátil

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