Estacionar um mês em SP sai em média R$ 260

No ranking de custo mais alto com vaga de carro na América Latina, capital paulista ficou em quarto. Preço diário é R$ 23

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

A cidade de São Paulo é a quarta mais cara da América Latina para estacionar o carro. Com valor médio de R$ 260 por mês e de R$ 23 por dia, a capital paulista ficou em 92º lugar em um ranking de 143 cidades, elaborado anualmente pela consultoria imobiliária Colliers International.

Na América Latina, o preço do estacionamento foi avaliado em nove cidades. Desse grupo, o Rio é a terceira mais cara, com média mensal de R$ 288 - comparada ao restante do mundo, fica em 78.º lugar. Esse preço é 10% maior que o cobrado em São Paulo. A cidade latina mais cara para estacionar é Lima (R$ 338) e a vice é Buenos Aires (R$ 317). No ranking mundial, Londres lidera: a média mensal é de R$ 1.661. A cidade mais barata é Chennai, na Índia: R$ 1,70 por dia.

Segundo a vice-presidente da Colliers International Brasil, Sandra Ralston, o preço para estacionar na capital paulista é alto por causa do aumento no número de carros em circulação e da diminuição de áreas de estacionamento.

"Muitos terrenos onde antes funcionavam estacionamentos foram destinados a empreendimentos imobiliários. Também houve a reestruturação viária, que provocou a redução de vagas gratuitas", diz Sandra. "Por outro lado, não houve investimento do poder público para construir bolsões de estacionamento, garagens subterrâneas, que precisam ser feitas em áreas de grande movimento."

Segundo Sandra, o preço deve continuar a aumentar. "Os terrenos estão cada vez mais escassos e há cada vez mais carros. A tendência, a não ser que tenha uma reação muito forte do poder público, é que o preço aumente."

Segundo levantamento do Sindicato de Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (SindePark), divulgado pelo Estado em junho, a mensalidade em Moema, Pinheiros, Itaim-Bibi, Vila Olímpia e centro aumentou até 92% entre 2005 e 2009. Para o presidente do Sindicato dos Empregados em Estacionamentos do Estado (Seeg), Francisco Antônio da Silva, os preços altos de aluguel e IPTU e os encargos com empregados, seguradora e manutenção, contribuem para elevar o valor do estacionamento.

Alternativas. A relações-públicas Érica Lemos, de 23 anos, mora na zona norte e trabalha no centro, próximo do metrô São Bento. Ela decidiu deixar o carro num estacionamento ao lado da Estação Carandiru e seguir de metrô até o trabalho para fugir dos preços elevados.

"Quando comecei nesse trabalho, procurei alguns estacionamentos. O mais próximo custa R$ 450 e tem fila de espera. Falta espaço no centro e há muita demanda de quem trabalha ou vai resolver alguma coisa, então eles acabam forçando o preço para cima", comenta Érica. "Fiz uma conta simples e vi que não valia a pena. Onde eu paro, pago R$ 110, sem contar o tempo no trânsito, que seria maior, e o desgaste."

O preço alto e a pouca disponibilidade de vagas motivaram Patricia Petreche, de 35 anos, e seus colegas a transferir o escritório de advocacia da Avenida Paulista para o Itaim-Bibi, há um ano e meio. Ela, que se mudara para a região da Paulista para não ter de ir ao trabalho de carro, se transferiu de novo para continuar a fazer tudo a pé e "facilitar a vida". "E para quem precisa parar o carro há mais opções com preços um pouco melhores, mas também absurdos", afirma. O escritório tem quatro vagas no prédio e, por isso, aluga de duas a quatro vagas extras por mês, por cerca de R$ 18o cada. Na Paulista, custava cerca de R$ 220.

Variações

7,2%

foi a queda registrada nos preços paulistanos, em relação aos valores de 2009, conforme a Colliers. Mas um estudo feito pelo IBGE neste mês já indica que os valores dos estacionamentos subiram 7,15% no primeiro semestre.

20%

foi a queda do preço no Rio em relação a 2009

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