Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Estacionar já custa até R$ 650 por mês

Nas regiões da Paulista, Faria Lima e Berrini, alguns motoristas têm de desembolsar mais do que um salário mínimo por vaga de mensalista

NATALY COSTA , BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h04

Não há mais limite para o preço dos estacionamentos nos maiores polos empresariais da cidade de São Paulo. Em regiões como as das Avenidas Paulista, Engenheiro Luís Carlos Berrini e Brigadeiro Faria Lima, as vagas mensais já chegam a custar mais do que um salário mínimo (R$ 622). Algumas encontradas pela reportagem cobram R$ 650 dos mensalistas.

Apesar dos preços mais do que salgados, continua difícil encontrar vagas. Grande parte das empresas que atuam nesses endereços trabalha com fila de espera por uma vaga mensal. E ainda tem o horário: por mais caros que sejam, os estacionamentos têm hora para fechar, o que obriga os clientes que fazem hora extra no trabalho a ter de retirar o carro até as 21 horas, para então voltar ao serviço.

Na Faria Lima, o valor da vaga vai aumentando quanto mais distante o estacionamento está do Largo da Batata, onde funciona a Estação Faria Lima da Linha 4-Amarela do Metrô. O estacionamento mais caro de lá, na altura do número 1.884 da via, custava R$ 500 há dois meses.

"Hoje mesmo já vieram uns três procurar vaga. Só tem se for para um carro só. Tem uns que se espantam com o preço, outros querem mesmo assim", disse um funcionário do estabelecimento que só concordou em dar entrevista se não tivesse o nome publicado. O gerente do estabelecimento não quis falar com a reportagem.

Shopping como opção. Uma dica de quem frequenta a região da Faria Lima apenas esporadicamente é parar nos shoppings - Iguatemi ou Eldorado. Apesar de caros - duas horas custam R$ 12 -, os valores são menores do que os R$ 15 cobrados pela primeira hora, em média, nas garagens dos prédios vizinhos.

Já quem não tem opção, exceto parar o carro por ali, tenta achar explicações para valores tão altos. "Eles enfrentam um aluguel muito alto e a gente paga o preço do aluguel deles", diz o engenheiro civil Marcos Ozores, de 57 anos, que estacionou seu automóvel por duas horas e pagou R$ 25 - o preço de uma refeição. No entanto, há quem ache que não está levando um prejuízo tão grande, como afirma a bancária Sara Portela, de 44 anos, cliente mensalista do estacionamento mais caro da avenida. "Por causa do convênio do estacionamento com minha empresa, desembolso R$ 270. Caro, né? Mas dizem que na Paulista é pior!"

As garagens da Avenida Paulista, que tem três estações de Metrô, não são mais baratas do que as da Faria Lima. Lá, a vaga mensal chega a R$ 450. Mas é possível encontrar locais cobrando até a metade disso. Em um estacionamento ao lado do Museu de Arte de São Paulo (Masp), o valor é de R$ 280. "Só está esse preço porque ainda tem vaga", revela um funcionário.

No caso de lugares avulsos, os valores mais caros encontrados pela reportagem estão na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul da cidade: R$ 52 a diária. "É caro. Mas não tem jeito, não tem opção. É o preço dessa região mesmo", conforma-se a consultora em Tecnologia da Informação Fernanda Frolini, de 38 anos.

Saída pela CPTM. O transporte público de alta capacidade mais próximo da Faria Lima e da Berrini é a Linha 9-Esmeralda da CPTM. Do ano passado para cá, a linha dobrou o número de usuários e hoje bate na casa dos 600 mil usuários por dia. Esse ramal tem ficado conhecido, entretanto, pela série de panes que deixam as plataformas lotadas no horário de pico. Foram cinco casos neste ano, classificados pela companhia como "ocorrências notáveis" que afetaram a operação por mais de uma hora.

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