Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Estação Pinheiros abre no dia 16 com integração provisória e novos vizinhos

Local que ficou conhecido pela cratera do Metrô integra Linha 4-Amarela, que a partir de segunda-feira começará a funcionar às 4h40

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

O governo do Estado marcou para 16 de maio a inauguração da Estação Pinheiros do Metrô. A entrega vai ocorrer mais de quatro anos após o local ficar conhecido mundialmente. Em 12 de janeiro de 2007, uma grande cratera no canteiro de obras engoliu rua e veículos e matou sete pessoas. Também foi anunciada ontem a expansão do horário de operação da Linha 4-Amarela em 3h20. A partir de segunda-feira, dia 2, seus trens funcionarão das 4h40 às 15 horas - até agora, o início era às 8 horas.

A Pinheiros será a quarta estação da Linha 4-Amarela a entrar em operação - já estão em funcionamento as Estações Paulista, Faria Lima e Butantã. Como a Pinheiros se situa entre duas estações já em operação (Butantã e Faria Lima), sua inauguração não vai aumentar os atuais 5,2 quilômetros de extensão do ramal. Por outro lado, a previsão é que o fluxo de usuários na linha aumente para cerca de 240 mil passageiros por dia já no segundo semestre deste ano - hoje são 29 mil usuários.

Nas próximas semanas, haverá uma "integração provisória" entre a Estação Pinheiros e a Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Como a estrutura que liga as duas redes ainda não está totalmente pronta, usuários terão de retirar um tíquete ao sair do metrô e dar a volta para acessar gratuitamente a CPTM - o mesmo valerá no sentido contrário.

"Estamos tentando antecipar essa data o máximo possível, mas, por enquanto, está mantido o compromisso oficial de fazer a integração total até o dia 30 de junho", disse o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, durante evento de entrega de três novos trens para a Linha 12-Safira da CPTM na manhã de ontem. "Ele (o usuário) sai da Linha 9 da CPTM, anda um trecho a pé com esse tíquete e entra na Linha 4. Tem de dar a volta em uma quadra."

Como as Estações Paulista, Faria Lima e Butantã, a Pinheiros deve funcionar inicialmente das 4h40 às 15 horas. E a previsão é que a Linha 4-Amarela só funcione em operação integral - entre 4h40 e 0h15 - no segundo semestre, após a entrega das duas próximas estações prometidas: Luz e República (previstas para serem abertas até dezembro). A partir de então, a rede também passará a funcionar nos fins de semana - hoje o funcionamento é só de segunda a sexta-feira.

Nova vizinhança. A notícia da inauguração da Estação Pinheiros agradou aos moradores e comerciantes do bairro na zona oeste da capital. Todos esperam os benefícios de ter uma linha de metrô por perto e dizem não suportar mais o longo período de obras. Quatro anos após a cratera, muitos moradores antigos de Pinheiros deixaram o bairro e cederam lugar para gente mais jovem, que chegou atraída pelos baixos preços do aluguel depois da cratera.

Um dos que saíram foi o aposentado João César Rabaça, de 79 anos. Até 2007, ele vivia em uma casa na Rua Capri. Mas o imóvel acabou condenado após o acidente, pois havia o risco de uma grua da obra cair sobre ele. Rabaça passou sete meses em um hotel com a família e depois teve de arrumar um novo lugar para morar, porque sua casa foi desapropriada para construção do futuro terminal de ônibus. Apesar de ter outros três imóveis no local, ele preferiu sair dali. Foi viver em Cotia, na Grande São Paulo. "Recebi todas as indenizações direitinho, mas aquilo tudo mudou minha vida. Para mim, hoje tanto faz se vão inaugurar ou não a estação", contou.

Outra reclamação dos antigos moradores é que os aluguéis de seus imóveis despencaram após a tragédia. E foram justamente esses baixos valores - resultados da desvalorização causada pela cratera - que fizeram mudar a vizinhança. Na Rua Conselheiro Pereira Pinto, cinco casas estão totalmente fechadas. Na frente, há placas de uma incorporadora que adquiriu os imóveis.

Os engenheiros Pedro Valiati e Diogo Almeida também aproveitaram as condições para montar na Rua Gilberto Sabino - atrás da estação - o escritório da empresa. "A casa tem umas rachaduras e não dá para saber se são por causa da obra. No restante, a estação aqui será boa para nós. Quando tivermos reuniões fora, a locomoção será mais fácil", afirmou Valiati.

Valorização. De olho nas mudanças trazidas pela nova estação, o comerciante Válber Mota também resolveu investir na região. Há um ano, comprou um bar na mesma rua. "O aluguel deve aumentar a partir de agora, mas ainda peguei barato. E acho que a nova estação vai fazer aumentar muito a clientela", disse, animado.

Tamanho da rede

70,6 quilômetros é a extensão atual da rede do Metrô de São Paulo - o que corresponde a praticamente um quinto da rede de Nova York, por exemplo.

3,7 milhões de passageiros são transportados em média em um dia útil no Metrô da capital.

700 mil passageiros é a previsão de crescimento de passageiros quando a Linha 4 estiver operando em horário integral, já com as Estações Luz e República.

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