JOSÉ MARIA TOMAZELA/ESTADÃO
JOSÉ MARIA TOMAZELA/ESTADÃO

Estação do século 19 sofre incêndio e se deteriora em Sorocaba

Fogo foi provocado por moradores de rua que invadiram as instalações; edifício foi inaugurado em julho de 1875

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2015 | 17h44

SOROCABA - A estação da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), um dos principais monumentos ferroviários do interior de São Paulo, corre o risco de se tornar irrecuperável. O prédio, inaugurado em 1875 com a chegada do primeiro trem procedente da capital, sofreu um princípio de incêndio causado por moradores de rua que invadiram as instalações. O fogo queimou completamente a sala que no passado funcionou como escritório do chefe da estação. O incêndio pode ter sido em represália à ação da Guarda Civil Municipal que retirou invasores do local.

O edifício espera restauração há mais de 20 anos. As partes em madeira foram atacadas por cupins e o telhado ameaça desabar. As infiltrações colocam em risco a estrutura. Parte do forro do salão principal, em estuque ornamentado com pinturas, desabou. O prédio, da União, faz parte da estrutura ferroviária concedida à America Latina Logística (ALL) que o cedeu ao município em 2005. Vários projetos de restauro foram feitos, mas nenhum foi executado por falta de recursos.


A estação foi inaugurada em 10 de julho de 1875, marcando o início do tráfego de trens entre Sorocaba e a capital pela Estrada de Ferro Sorocabana. O imperador D. Pedro II não compareceu à inauguração, mas percorreu a linha no ano seguinte. O conjunto foi tombado em 2003 pelo patrimônio histórico municipal. A prefeitura informou ter instalado câmeras para melhorar a segurança e que um projeto técnico para o restauro está em andamento. Um inquérito civil aberto em fevereiro pelo Ministério Público Estadual apura o abandono do patrimônio.

Outras estações ferroviárias sofrem com o descaso no interior. Construída há 120 anos, a estação de Rubião Júnior, em Botucatu, foi saqueada e está caindo aos pedaços. Não há vigilância e vagões abandonados servem de abrigo a usuários de drogas. A estação central da Sorocabana em Botucatu, também centenária, está com as obras de restauro paralisadas e sofreu ataques de vândalos. A prefeitura informou depender de convênios e parcerias para dar sequência à restauração.

Em Bauru, o legado ferroviário é imenso, mas também está sem uso e se deteriora. A cidade foi o maior entroncamento de ferrovias do Estado, com estações da Sorocabana, Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e Companhia Paulista de Estradas de Ferro. A estação central, da noroeste, tombada pelo patrimônio histórico, foi adquirida pela prefeitura e o prédio, de 13 mil metros quadrados, sofreu intervenções pontuais. As estações da Paulista e da Sorocabana estão na dependência de recursos para a execução de projetos de recuperação dos prédios.

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