Estação Angélica: após polêmica, Metrô opta por acessos discretos

Nova estação deve receber 29.090 passageiros por dia, aumento de 32% na demanda em comparação com a antiga localização

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2011 | 00h01

SÃO PAULO - Com toda a polêmica envolvendo a localização da estação em Higienópolis, o Metrô decidiu que o projeto arquitetônico da nova parada será mais simples. Inicialmente, ela ocuparia uma área onde há um supermercado, uma loja e um edifício na Avenida Angélica. Agora, as três saídas previstas para Higienópolis e Pacaembu serão pontos discretos, com totens indicativos, mas sem grandes estruturas aparentes nas ruas. "Serão pequenos pontos de acesso, uma forma de economizarmos no custo da obra, que já vai ser mais cara do que outras linhas, pois estará muito profunda", diz o diretor de planejamento do Metrô, Mauro Biazotti.

 

Além do custo das obras, estações maiores também sairiam mais caras por causa da necessidade de desapropriações. Ainda mais em bairros nobres como Higienópolis e Pacaembu. A estimativa agora é que poucos imóveis precisem ser declarados de utilidade pública para ceder espaço à estação.

 

Na região da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), por exemplo, apenas um estacionamento deverá ser desapropriado. Por outro lado, usuários da futura estação devem encontrar atrações dentro das estações. O Metrô estuda construir uma espécie de boulevard no túnel que vai interligar as três saídas previstas. Os planos constam no parecer técnico da companhia sobre a nova estação. A ideia é construir lojas e até mesmo um espaço cultural nesse caminho dos passageiros.

 

Os cálculos finais do Metrô apontam que a Estação Angélica-Pacaembu vai receber 29.090 usuários por dia - um aumento de 32% na demanda, em comparação com a antiga localização da estação, na Avenida Angélica. A parada anterior receberia diariamente 19.730 passageiros.

 

A nova disposição das estações trará também aumento de quase 4 mil passageiros por dia à Estação PUC-Cardoso de Almeida - passará de 15.770 para 19.600, segundo o Metrô. Já a procura pela Estação Higienópolis-Mackenzie sofrerá poucas modificações com a nova estação: passará de 91.110 para 91.720 passageiros por dia.

 

Escolha. Outras duas propostas foram avaliadas pela companhia antes de se definir a localização da Estação Angélica-Pacaembu. No parecer técnico, o Metrô justifica que a alternativa que considerava duas paradas no trecho entre as Estações PUC-Cardoso de Almeida e Mackenzie-Higienópolis seria "muito custosa" para acrescentar "pouca demanda" - cerca de 6 mil passageiros a mais, em relação ao previsto com a construção de só uma estação. Para o Metrô, o espaçamento entre as estações na nova localização está "equilibrado."

 

A Linha 6-Laranja será uma das mais caras da história do Metrô. Com custos inicialmente estimados em cerca de R$ 7 bilhões, deve ter seu valor final definido apenas após a conclusão do projeto básico. Esse alto custo é consequência da necessidade de se escavar em um nível mais profundo - ela passa debaixo do Rio Tietê -, o que encarece o processo construtivo.

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