'Esse volume de obras pode não ser alcançado em 4 anos'

Um dos idealizadores do Arco do Futuro, ele admite que várias soluções não são novas, mas diz que elas serão melhoradas

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2012 | 02h01

Um projeto para ser executado em mais de quatro anos. Não será o prefeito eleito Fernando Haddad (PT) que entregará à população da cidade as 17 principais medidas previstas no chamado Arco do Futuro, programa apresentado durante a campanha para promover o desenvolvimento descentralizado de São Paulo. A implementação das ações é um processo de médio a longo prazo, segundo o vereador eleito Nabil Bonduki (PT), um dos idealizadores do pacote.

Em entrevista ao Estado, o arquiteto e urbanista reconhece ainda que as soluções apresentadas não são novas, mas afirma que muitas delas sofrerão melhorias durante sua execução, especialmente as intervenções contratadas pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). O traçado do túnel que ligará a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes, por exemplo, está na lista, assim como a revisão das operações urbanas em andamento. O foco é ousado: equilibrar a oferta de emprego e moradia pela cidade.

O que pretende o Arco do Futuro? Reverter um processo prejudicial em curso na cidade: a concentração de 65% dos empregos no centro expandido, onde vive apenas 15% da população. Essa demanda está baseada apenas nas Subprefeituras da Sé, Pinheiros, Vila Mariana, Lapa, Mooca e Santo Amaro. Essa lógica prejudica diariamente a população, que é obrigada a cumprir longos percursos para ir do trabalho para casa e vice-versa.

O programa se baseia em ações prometidas, mas não realizadas. Que garantia há agora? O plano reflete a falta de investimentos dos governos anteriores. Na gestão de Marta Suplicy (PT), não havia recursos. Agora, vamos atrás das ferramentas para viabilizá-lo. É possível fazer muita coisa. Nossa principal meta é criar polos de desenvolvimento local, para aliviar o centro e dar mais qualidade de vida aos moradores, que poderão trabalhar perto de casa. Isso será obtido com incentivo às empresas que investirem na periferia. Elas podem ter isenção de IPTU, ISS e ICMS, a partir de parceria com o Estado.

Já há uma lei municipal que prevê essas isenções. O futuro governo pretende alterá-la? Sim, devemos elaborar um novo projeto de lei. A legislação atual prevê isenções apenas para a zona leste. Ela foi criada pela gestão Marta, quando foi feito o Plano de Desenvolvimento da Zona Leste, mas nunca foi implementada. Agora, a proposta é mais ampla, prevê esse benefício para todas as regiões periféricas da cidade. A mudança vai exigir aprovação da Câmara.

Há outras medidas previstas no Arco que exigem aval dos vereadores? Sim, as propostas de melhorias viárias e de desenvolvimento dos polos regionais estão diretamente relacionadas à revisão do Plano Diretor, prevista para o ano que vem. O Haddad já demonstrou que tem pressa nessa questão. A operação urbana que inclui a Avenida Jacu-Pêssego, por exemplo, foi aprovada em setembro de 2004 e não avançou depois disso. Agora, é preciso rever algumas regras. O programa prevê, por exemplo, isenção de pagamento de outorga onerosa para empreendimentos não residenciais. Queremos também incentivar a construção de prédios de uso misto.

O Arco do Futuro lista uma série de obras prometidas há décadas, como a duplicação da M'Boi Mirim. Os projetos mais antigos terão prioridade? Ainda não podemos dizer quais serão as prioridades. O plano apresentado é um plano de intenções, por enquanto. O detalhamento será feito a partir de agora. Mas esse volume de obras pode não ser alcançado em quatro anos. O Arco do Futuro é um projeto para a cidade, a médio e longo prazos. Mas tudo o que está proposto é absolutamente necessário e o prefeito vai buscar formas de viabilizar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.