'Esse tipo de crime acaba com a vida da pessoa', afirma vítima

Há sete anos, vídeos e fotos íntimas da jornalista Rose Leonel vazaram na internet. Ela pagou um perito para reunir provas de que o ex-namorado dela, Eduardo Gonçalves da Silva, havia vazado as imagens. Apesar de negar no processo, ele acabou condenado a 1 ano e 11 meses por injúria e difamação qualificadas, o que foi convertido em pena alternativa, e a pagar indenização de R$ 30 mil. Com a vida marcada pelo caso, ela criou uma ONG (http://mariasdainternet.org/) para ajudar outras vítimas.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h02

Você acha que a lei é branda?

Eu acho que esse tipo de crime acaba com a vida da pessoa. Deve haver enquadramento específico na lei para esse tipo de crime. E é preciso que haja punições mais severas para inibir o infrator.

O que aconteceu com você?Meu ex-namorado divulgou as imagens sistematicamente por três anos. Ele mandava e-mails para 15 mil pessoas. Ele imprimia e distribuía fotos no comércio da cidade. Colocou fotos minhas em sites e meu telefone, como se fosse prostituta.

Como você se sentiu?

Foi a pior situação da minha vida. Ele já tinha me ameaçado. Disse que, se eu não voltasse com ele, ia destruir a minha vida. Não imaginava que tinha a coragem de fazer algo tão baixo. O chão saiu de baixo dos meus pés. Começou o calvário.

Quais as consequências?

Eu fui mandada embora do trabalho. Perdi a guarda do meu filho. Ele saiu do País, não aguentou a situação. Sofri um processo de exclusão social. Eu entrava em alguns lugares e as pessoas riam, tinham conversas, ficavam apontando para mim. Roubaram minha vida.

Você criou um projeto para ajudar outras vítimas?

Estamos cadastrando pessoas que queiram ajudar, queremos dar um apoio psicológico e jurídico, porque a vítima perde o chão. /A.R.

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