''Essa mulher deu uma lição de cidadania''

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2011 | 00h00

Jorge Forbes, psicanalista

A atitude da testemunha que denunciou a execução foi corajosa?

Uma pessoa pode ser mais corajosa que outra? Existe, sim, vocação à coragem, mas mais importante é a questão da honra. Existem pessoas cuja única opção na vida é sobreviver. Para outras, não basta sobreviver, é preciso viver uma vida que valha a pena. Claro, tudo acontece muito rápido para pensar nisso. Mas me parece que a pessoa não pensa apenas em salvar a própria pele, ela coloca a vida em risco para salvar a honra.

Como isso ocorre?

É um ato impulsivo, movido pela paixão da espécie humana. Essa moça emocionou a todos nós e nos devolve o prazer da vida social, de olhar para a pessoa ao lado e pensar que, sim, ela poderia arriscar a vida por alguém. Vivemos uma época covarde. Por isso é tão surpreendente quando alguém tem uma atitude assim, como se dissesse: "Não vou ficar surda nessa guerra."

Por que acontece tão pouco?

Estamos condicionados a sempre nos proteger. O bandido tem uma arma? Blindamos nossos vidros. O que acho fantástico é que essa mulher deu uma lição de cidadania. Ela foi capaz de constranger o policial, falar na cara dele. Seria ótimo se em São Paulo tivéssemos uma onda de constrangimento social, um constrangimento do crime, como em Nova York anos atrás.

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