'Essa cripta marcou a minha vida desde pequena'

Pesquisadora enfrentou três anos de burocracia e conseguiu mobilizar quase duas dezenas de especialistas no estudo

O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h05

Foram três anos de burocracia, sabatinas minuciosas da família imperial, "grande esforço de convencimento" de quase duas dezenas de especialistas de campos tão diversos como Física, História e Medicina. Depois, com todas as partes de acordo, sete meses de trabalho diário na cripta do Parque da Independência, no Ipiranga, para fazer o primeiro estudo arqueológico em restos mortais de personagens históricos do País. E para realizar um sonho pessoal.

A historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, de 42 anos, nasceu no Ipiranga e sempre viveu perto dali. Frequenta o parque desde a infância e assistiu, aos 11 anos, à chegada ao Ipiranga dos restos mortais da imperatriz Amélia, em 1982. "Muita gente nem sabe o que significa, o que há dentro desse monumento. Decidi fazer a pesquisa pensando que, se as pessoas souberem melhor seu significado, valorizarão os personagens históricos e cobrarão as autoridades para que preservem o que temos aqui."

Terminada a primeira fase dos trabalhos na cripta, ela se diz "honrada por ter sido autorizada a trabalhar ali" - e sente que era "a pessoa certa" para capitanear as pesquisas. "Todo mundo tem seu lugar especial. O meu é esse, a cripta imperial, um local que marcou minha vida desde pequena", conta a pesquisadora, formada em História pelo Centro Universitário Assunção (Unifai) e que ontem defendeu seu mestrado pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. "Comentava quando trabalhávamos aqui: era como se olhasse para o corredor e visse aquela menininha no colo do pai, pedindo para olhar o que havia na capela da Dona Leopoldina, por quem sempre tive admiração."

A paixão por temas relacionados à monarquia vem da adolescência - um dos marcos em sua vida profissional foi o primeiro emprego, como estagiária na Embaixada de Mônaco. "Me apaixonei pela maneira formal como tratavam sua família real, o respeito que tinham. Uni com minha história no Ipiranga e entendi que fazia parte de mim", conta a pesquisadora - que costuma usar brincos que reproduzem ordens do Brasil Império. "A meta agora é finalmente acabar com os problemas de infiltração que tanto prejudicaram o lugar nos últimos anos." / E.V. e V.H.B.

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